5 horas da manhã. ele acorda e o suor escorre em gotas grossas pelo seu corpo. respira ofegante, mais um pesadelo. levanta-se tendo vontade de se jogar ao chão e vai para cozinha fazer um café (já havia decidido não dormir mais).
a cafeteira enche o ar de sons e cheiros e ele vai se sentindo ligeiramente melhor. senta-se ao computador e abre seus emails. a profunda vontade de se desligar do universo em que não se sente mais conectado perdura mesmo a essa hora da madrugada. se sente só nele mesmo. ninguém teria a capacidade de lhe fazer companhia em todo o vazio que se escondia dentro de sua personalidade.
os spams consumiam seu tempo e eram as únicas coisas que preenchiam sua caixa de emails. entra no facebook e não vê movimentação alguma.
o sol vai acabando de nascer e ele se deita depois do rápido banho. fecha os olhos mas não dorme. pensa e no pensamento descobre algo que lhe faz entender o porque de toda a sua angústia: depois de nascer, ele nunca pôde ser ele mesmo.
Ofereça o doce fácil da polpa, mas nunca deixe de oferecer o poder germinativo e a dureza da semente.
3/17/2013
2/06/2013
Um conto feito por mim em 2005. Eu sempre escrevi para mim mesmo, como uma ordem de "ACORDE SEU IDIOTA". Esse conto vem para afirmar isso, para mostrar pra mim mesmo que é preciso começar a viver antes que a vida chegue ao fim, que é preciso olhar para fora e para de se preocupar com o mundo interior.
IX - O Abutre
O sol
brilhava como todos os dias mas ele sabia que cada pessoa podia ver o sol de
maneira completamente diferente assim como todas as outras coisas que existem.
Para ele, o sol era nada mais que a estrela central de nosso sistema solar, não
lhe inspirava a poesia e nem à liberdade.
Rudi gostava de existir em seu mundo
extremamente limitado onde toda e qualquer aventura estava além de suas forças.
Caseiro, era guiado por sua hipocondria que falava muito mais alto que todas as
suas vontades mais absurdas.
Em um dia mais que normal, ele
caminhava até o seu trabalho sem pensar muito em coisas importantes mas preso
em uma ansiedade monstruosa que lhe vendava os olhos. Rudi não tinha amigos e
se pudesse não trabalharia também, ficaria em casa, longe do convívio com
qualquer ser humano. Em sua caminhada diária (ato que para ele era a única
coisa que o salvava de problemas mais sérios de saúde) ele não costumava ver
muita coisa diferente. Um cachorro latia do outro lado da rua e uma mulher
grávida estava agora sentada ao meio-fio, tomando água de uma garrafa térmica.
Nesse momento, Rudi percebeu que a sua perna direita havia ficado completamente
dormente, uma dormência repentina e extremamente forte. Era impossível ficar de
pé. Ele caiu e ficou ali sem saber o que fazer. Com certeza a mulher do outro
lado da rua achava que era mais um bêbado, ainda mais pelo jeito desleixado que
Rudi costumava se vestir.
Não podia gritar pois não queria as
mãos sujas de ninguém tentando lhe ajudar. Rudi pensou que era finalmente o
momento de sua morte. Estava passando muito mal mesmo. Seu estômago produzia um
forte desconforto, não dor, mas algo tão incômodo como ou até mais forte.
A boca se abrira para um grito que
não saiu. Metade do corpo de Rude estava completamente imobilizado por uma
coisa que ele não sabia o que era. Ele percebia os dedos frios de uma morte
anunciada diariamente encontrarem finalmente o seu corpo. Estava caído na rua,
não sabia o que fazer.
Naquele momento, ele se lembrou de
tudo o que havia feito as pessoas que o amavam e soube que de uma forma ou de
outra, tudo o que fazemos volta pra nós de forma amplificada.
Há alguns anos Rudi era casado com
Mina, uma garota realmente muito companheira e bonita. Tudo o que Mina mais
queria era ter um filho mas Rude não queria perpetuar a sua doença, ele não
queria um herdeiro para toda a sua fortuna, para tudo o que tinha: seus
enigmáticos problemas de saúde.
Ele gritou com Mina quando ela
tentou conversar com ele em uma noite de primavera. A luz enfraquecida do
abajur aclimatava o quarto para tudo, menos para as palavras que ela estava
ouvindo. O choro lhe veio como uma explosão de tudo o que estava reprimido em
muitos anos de casamento. Ela gritou com ele como resposta, e mesmo estando
tarde da noite ela resolveu ir embora deixando-o sozinho com as suas
companheiras invisíveis.
No dia posterior ele resolveu se
castigar de forma quase impensada parando de comer. Não houve fome naquela
semana e com certeza mais uma enxurrada de doenças levava embora a sua vida.
As árvores plantadas no jardim, as
flores que cresciam maravilhosamente sem a ajuda de ninguém, a lua em sua
beleza enigmática, nada era apreciado por Rudi. O gosto de metal da civilização
era bem mais forte que a poesia viva que o circulava. Seus irmãos e seus pais
estavam afastados pois ele não os queria por perto. Mina havia ido embora. A
única coisa que ele realmente amava era o seu mundo, um amor negro e vazio que
o sugava os minutos.
Caído ali no chão, Rudi se
conscientizou que pela primeira vez na vida estava realmente tendo um problema,
algo que não era gerado pela sua mente, mas que estava dentro de seus órgãos.
Ele não queria pensar, pensar fazia o seu intestino ficar mais esquisito e
aumentava a grande força do sentimento que estava tendo. A mulher grávida já
havia se convencido de que não era um bêbado e sim um jovem senhor tendo uma
espécie de convulsão. Ela foi em sua direção e começou a gritar por ajuda.
Rubi estava vazio por dentro, ele
queria sentir a mão de Mina em seus cabelos, como ela gostava de fazer quando
ficavam abraçados. Queria sentir o cheiro das flores que sempre estiveram ali e
nunca foram aproveitadas. Queria naquele momento poder abraçar algo que nunca
desejara, um filho seu.
A dormência se tornava tão grandiosa
que ele não sentia mais o seu estômago e nem o seu intestino. Os braços e as
pernas estavam paralisados assim como todo o resto de seu corpo. O rosto virado
para cima, mantinha os olhos fechados em sinal de profunda ausência. Rubi
estava se preparando para morrer.
E como último ato, como se fosse uma
rápida corrida de volta para uma última espiada, ele juntou toda a força de
vontade que ainda lhe restava e abriu os olhos. Ele viu o sol, como nunca tinha
visto até aquele dia. Viu a sua própria vida emanando de estupenda força que
brilhava no céu e nos raios que saiam dele. Viu a liberdade que ele tinha de
iluminar tudo sem precisar pedir. Rubi estava maravilhado com o azul do céu,
com as esporádicas nuvens que o adornavam e com as aves que voavam alto. Viu
também as folhas de uma árvore que estava perto balançando enquanto o vento
batia nelas como uma carícia constante.
Os olhos foram fechando devagar. A
visão de pessoas tentando lhe ajudar era a sua derradeira imagem. Mas uma coisa
aconteceu sem que ele pudesse entender, o som dos galhos daquela árvore que
havia visto segundos antes estavam sendo percebidos por ele agora. E como eram
bonitos e suaves aqueles sons. Eram a única coisa que preenchia a sua mente
além dos momentos não aproveitados da sua vida que lhe passavam como flashs. Os
sons foram ficando cada vez mais constantes quando ele ouviu uma sirene de
ambulância. Não adiantava, Rudi já se sentia sem concerto por causa dos danos
em seu corpo que com certeza deveriam ser muitos.
Sentiu mãos que o seguravam e
percebeu que novamente havia recuperado o tato. Tentou abrir os olhos e
conseguiu, mas a visão foi apenas o cinza de um teto. Não sentiu mais nada por
muito tempo.
—Rudi. Acorde Rudi. Abra os olhos
por favor!
Em seu estado de torpor ele apenas
reconhecia levemente uma voz em seus ouvidos. Não se lembrava de nada por muito
tempo enquanto esteve perdido em sono constante. De repente, a sensação de
estômago vazio e um gosto estranho foram percebidos e o ar resolveu parar por
um instante, logo quando ele mais precisava.
Rudi abriu os olhos e viu um rosto
entristecido lhe velando. Era a sua mãe. Ao seu lado estava Mina e um olhar de
misericórdia. A doença sempre trazia todos de volta, sempre o tornara o centro
das atenções e era isso que ele queria de forma impensada.
Ele olhou em volta e percebeu que
estava internado e parecia que estava ali por muito tempo. Tubos saíam do seu
corpo e entravam em máquinas. Suas mãos estavam magras e sua pele extremamente
branca. Rudi, pela primeira vez percebeu a realidade do que é estar doente e
incapaz.
10/15/2012
Duras, as palmas acolhem o pó
Chove, porém não há som...
Caolho, desenvolve passos
Entreaberta, a porta lhe aguarda
Só, aconchega-se no desespero
Gelado é até o vento que a chama empurra
Esfarelada, a pele dos lábios se estica
Luminosos, os dentes conhecem o sol
Ele encerra todo fim, último!
Ele descobre então assim, sóbrio,
Já tão perto de cair, morto...
Que não há de quem partir.
9/25/2012
A sensação de viver impregnado pela cautela me dominou por completo. Nada é perigoso, tudo é calculado em seus prós e contras nos mínimos detalhes. Quando há uma real possibilidade de ruína, por mais sutil que seja, afasto a idéia.
A cautela, essa em específico, pode ser confundida com o medo. No meu caso, a cautela é a pura evolução de um medo crônico que me acompanha desde que me entendo por ser pensante.
A vida se torna um quadro em sépia profundo quando se vive em cautela. O momento mágico é aquele em que ao voltar do trabalho, bebe-se café assistindo TV, programas repetidos aos quais já são conhecidos começo, meio e fim.
Eu sou bom em começar coisas. Péssimo em terminar.
Nunca consigo me desprender de algo que não dá mais para sustentar.
Eu sou também perfeito em me esconder. É comum eu passar dias inteiros sem ser eu. Na verdade, acho que eu já morri em meio à cautela, ao morno, ao conforto cortante que sufoca.
Hoje foi difícil. A angústia foi tão forte que eu a sentia correndo nas artérias. Senti meus pulsos borbulhantes, um desespero que não podia continuar. Dirigi por algum tempo em total anestesia. Catatônico, não sabia para onde estava indo. Até que tracei um destino, apenas para poder ir até ele.
Senti vontade de pegar a estrada. Ir até qualquer lugar. Voltar logo depois (não conseguirei nunca partir sem olhar pra trás) para a mesma cautela de sempre, para o mesmo medo, confortável medo.
Então eu ouvi uma música, que me lembrou de um livro, que me lembrou de uma cena de um filme e então eu me senti um idiota. Pela primeira vez em muito tempo (anos eu acho) eu consegui chorar por alguns segundos. Não lágrimas escorrendo. Choro mesmo.
Respirei mais livre depois dessa merda toda.
Não sei o que o futuro me reserva, mas vou começar a ensaiar alguns atos não cautelosos. Quem sabe um dia eu me lembre de quem eu deveria ser.
8/09/2012
5/28/2012
4/15/2012

Tentando lidar com o vazio, John imaginou o que poderia acontecer se inesperadamente ele desaparecesse. Sentiu que ninguém notaria sua falta com poucas exceções. Claro, essa previsão se baseava nas horas ou dias que se seguiriam a seu sumiço. Meses depois todos os habitantes já estariam tentando recordar-se do que o jovem mal encarado e quieto fazia.
John acende um cigarro enquanto olha ao longe algumas ondas mais altas se quebrarem. O dia seguinte será feriado, não há nada pra fazer a não ser se sentar em algum lugar e beber até ficar dormente.
Ele se levanta com uma dificuldade anormal. Não sabe o que está acontecendo. Suas pernas não lhe obedecem mais. O chão se aproxima do seu rosto rápido demais para mesmo emitir um grito e, no instante seguinte, quando recobra os sentidos, está no chão, de bruços e com a cabeça virada para o lado. Não consegue mover nenhum músculo. Nem mesmo pisca. Sua pele esquenta e fica vermelha. Sua respiração e batimentos cardíacos se reduzem tanto que quase são imperceptíveis.
A noite passa e John nada pode fazer. Apenas olha a paisagem solidificada de sua cidade ao dormir.
Quando o sol começa a aparecer, fazendo seus olhos doerem com suas pupilas dilatadas e solidificadas (o que permite a entrada de uma quantidade anormal de luz), as primeiras pessoas começam a sair de suas casas. Não demora muito para alguém encontrar seu corpo.
- Oh meu deus, alguém se feriu!
- Ele está morto?
- Não sei...
- Encoste nele homem! Se ainda estiver vivo, temos que tentar salva-lo.
Os batimentos do coração e a respiração nem são percebidos, mas quando viram John com o peito pra cima para tentar uma massagem cardíaca, percebem que sua pele está quente. Como se queimasse de febre. Concluem que ele está vivo, mas não conseguem explicar como. O levam para a enfermaria da cidade e tentam faze-lo melhorar.
Nos calendários da cidade, o ano de 1965 se perdia à deriva, como uma embarcação em alto mar.
Deitado na cama com seus olhos semi-abertos, John se espantou em ver seus pais se revezarem com seus irmãos para cuidar dele. Rezando todos os dias, dando banho em seu corpo paralisado e que teimava em não esfriar, mesmo com medicamentos fortes para a febre.
Amigos o visitavam sem parar. Deixavam presentes, dinheiro, remédios. Choravam muitas vezes. Mas John não conseguia se mover mesmo assim.
Os anos se passaram e John podia ver que seus pais aparentavam cada vez estarem mais velhos. Seus irmãos antes pequenos tornaram-se adultos, passaram a lhe visitar com as esposas, depois com os filhos e com os netos. Primeiro sua mãe não vinha mais e seu pai, muito velho e debilitado conversava com ele dizendo que brevemente não estaria mais ali para cuidar dele. Beijava-lhe a testa sempre quando chegava e quando partia.
John viu seus irmãos ficarem com cabelos brancos e magros. Os viu sendo trazidos com a ajuda de seus netos, que já estavam casados e com filhos. E por fim, nenhum de seus irmãos ou amigos vinham mais vê-lo.
Mudaram-lhe para um outro quarto. O teto era mais baixo, mas o cheiro era melhor, mais fresco. Os médicos usavam cortes de cabelo diferentes. Suas roupas mudavam muito de estilo enquanto ele observava os dias passarem.
E os bisnetos de seus irmãos ficaram velhos e carecas. Ele nunca mais os viu de um tempo em diante. Ficava lá, deitado sozinho, queimando de febre, respirando quase nada e com o coração praticamente parado.
Uma forte chuva começou a cair do lado de fora. John piscou brevemente. Sentiu frio e percebeu que seus dedos voltavam a ter tato.
Levou dois meses para John conseguir se movimentar normalmente, dobrando suas articulações há tempos paradas. Sua respiração e batimentos cardíacos voltaram ao normal. John não havia envelhecido nem um dia sequer. Até o pequeno corte em sua face, que aconteceu quando caiu no chão, ainda estava lá.
Caminhou até uma tela colorida que mostrava as horas e a data.
5 de abril de 2193.
Chorou. Havia perdido tudo no tempo, evaporado diante de seus olhos. Tudo o que ele tinha e que ele nunca havia prestado a atenção. Todos os bens que ele nunca mais poderia recuperar: as pessoas que o amavam.
Não há relatos de nenhum caso médico parecido com o de John em todo o mundo. Sabe-se apenas que ele entrou em uma espécie de condição de hibernação extrema que pôde ser revertida naturalmente depois.
Quando ele finalmente saiu do hospital, a pequena ilha de Tristan da Cunha não era mais a mesma. Não tinha nem um décimo da beleza e poesia de antes.
Ele foi levado a seus parentes ainda vivos. Descendentes de seus irmãos.
Morreu com 105 anos de idade (se forem subtraídos os anos em que ficou hibernando). Casou-se logo, teve 5 filhos e amou a todos a cada minuto de seus dias.
___
Todos somos especiais. Por mais que a vida não reserve nada de estupendo ou grandioso, o fato de estarmos vivos é em si um maravilhoso motivo a ser comemorado.
O amor é a lei universal. Está acima de todas as leis e mandamentos.
1/13/2012

Cada um constrói asas
Do tamanho que pode
Para altitudes que almeja
Caindo
Ninguém lhe arranca as penas
O chão é um auto-presente
Para quem almeja o abismo
Cinematic Orchestra - To Build A Home by cecilen
11/06/2011

Muitas pessoas me perguntam se eu sou ateu. Muitas ainda me perguntam se sou satanista.
Bem, neste post vou falar brevemente o que eu sou.
No ocidente, a grandiosa parcela das pessoas que escolhe uma religião (ou nasce numa), acaba dentro de uma Cristã. Eu mesmo fui batizado e criado dentro da Igreja Católica. Durante um bom tempo eu permaneci em total ateísmo até que eu percebi que eu acreditava em algo, porém, de uma maneira muito diferente das pessoas que estão ao meu redor.
Comecei a buscar alguma religião ou segmento religioso que estivesse ao menos de acordo com minha forma de pensar. Estudei muito sobre religiões orientais e me identifiquei muito com a filosofia Hinduísta. Li sobre Budismo e achei maravilhoso, porém, não para mim. Mas muitas coisas ainda não se encaixavam.
Sim, fiz o trabalho contrário do de muitas pessoas, não entrei numa religião e a segui, formulei minhas crenças e iniciei minha busca por algo que se encaixasse nelas.
Encontrei a Wicca. Li muito material sobre essa religão. Entendi certo e entendi errado muita coisa, pois, por questões de cultura pop, esta acabou se tornando uma espécie de moda.
Procurei a Bruxaria Tradicional e encontrei pela primeira vez o conforto que eu esperava.
Eu acredito que todos que olham para a divindade esperando encontrar algo, olham para a mesma direção. Todas as religiões, ocidentais ou orientais, monoteístas ou politeístas, novas ou antigas, buscam a mesma força divina. Alguns, desenham essa força com um rosto mais detalhado, outras, subdividem-na em diversas faces com significados e simbolismos diversos, outras a dividem em masculino e feminino. Mas ao fim, todos rumam para a Divindade, para Deus, Javé, Krishna, a Deusa Mãe e o Deus Cornífero.
Na minha humilde perspectiva eu olho apenas para a Divindade e não a entendo e nem tento entender. Percebo que a Divindade é muito maior do que eu poderia ser em toda a minha existência e apenas a contemplo e tento ser, de alguma forma, parte dela.
Toda vez que eu acabo dizendo que sigo a Bruxaria Tradicional as pessoas acabam me satirizando. Eu aprendi que é importante aceitar o caminho que cada um escolhe com respeito.
Sou extremamente crítico, e critico sim muitas religiões, mas meus argumentos estão na atividade do homem, que vem transformando a religião numa empresa cada vez maior, se afastando do tema principal.
Assim, continuo minha busca. Procuro ser uma pessoa correta e ética independentemente de em que patamar minha religiosidade e fé estão.
interessante: http://pt.wikipedia.org/wiki/Panente%C3%ADsmo
9/09/2011
8/30/2011
6/06/2011
...navios do norte
miragens no horizonte
bloqueiam minha visão
do pôr do sol
e atracam na areia
miram nos peitos
miragens dentro dos olhos
deuses importados
areia entre os dedos
sal do mar, cheiro das ondas
água marinha, bala de aço
palavras em minha boca
entre as janelas dos prédios
no escapamento dos carros
nos jornais eletrônicos, sites de moda...
deuses importados.
5/04/2011

com os cabelos sujos de lama, ela se deita ao meio-fio e levanta as mãos em uma encenação de súplica. as pessoas passam, algumas jogam dinheiro, outras ignoram, eu olho e não digo nada, não dou dinheiro e não passo. apenas olho.
com as bocas cheias de comida eles se sentam ao sofá e fixam seus olhos e ouvidos na tv. a atrofia mental é transmitida em HD com som 5.1 para um povo obeso.
nas favelas as pessoas sambam. riem da dor e se acostumam com ela. eu apenas sei disso, fico aqui parado, apenas sabendo.
políticos fodem putas caras com o dinheiro público. se deixam penetrar por garotos de programa de 1000 reais a estocada. todos sabem, todos acham melhores os que roubam mas fazem dos que os que apenas roubam.
pra cima e pra baixo, o povo se divide e se distancia cada vez mais. os de cima perderão os músculos, dominarão as doenças e ficarão burros pois não precisam saber, não precisam lutar...
os de baixo terão que arregalar os olhos pra enxergar algo na escuridão de suas cidades. terão que raspar a rocha pra comer algo. e por fim, devorarão os indefesos de cima.
aproveitem enquanto podem seus filhos da puta.
4/28/2011

eu definitivamente não consigo fazer bem coisas simples na vida, coisas que todos fazem normalmente... não há como dar exemplos, eu não faço listas.
o mundo de hoje se subdivide em milhares de universos com sutis alterações, mas os dois maiores grupos são:
- os burros idiotas
- os burros idiotas que acham que são inteligentes
obviamente, estou no segundo grupo. esse que é afetado pela cultura distorcida e tão multi-forma que se torna uma grande massa de tudo e nada ao mesmo tempo.
aí vc acorda todos os dias com um punhado de vontades e sonhos e se depara com a impossibilidade de todos. mas o mundo continua a te impulsionar a sonhar, mesmo que seja para não ter porra nenhuma no fim.
aí vc está lá, parado com seus doces problemas, e aí ouve a história de alguém que realmente está com problemas. sensação de "sou um imbecil"... não há como comparar.
mesmo assim, duas horas depois, vc toma mais um gole daquele whisky de merda de 20 reais carregado de gelo (pq cowboy não rola mesmo), olha pro teto e começa mais uma vez a sentir pena de si próprio.
bem, eu preciso definitivamente voltar a correr, isso resetava minha cabeça.
4/21/2011
Há quanto tempo...
Não posto mais assim pq sinceramente eu não quero compartilhar o momento que tenho passado.
Um profundo descontentamento, até meus próprios sonhos tem me aborrecido.
Tento ligar o foda-se, mas não rola sempre...
Então, resolvi escrever pra ver o que acontece.
Eu só tenho vontade de ouvir grindcore e encher a cara. Estou virando adolescente novamente, que saco.
Não posto mais assim pq sinceramente eu não quero compartilhar o momento que tenho passado.
Um profundo descontentamento, até meus próprios sonhos tem me aborrecido.
Tento ligar o foda-se, mas não rola sempre...
Então, resolvi escrever pra ver o que acontece.
Eu só tenho vontade de ouvir grindcore e encher a cara. Estou virando adolescente novamente, que saco.
9/20/2010
Em silêncio o dia avança
Com o sol acendendo todas as luzes
Sem nenhum interruptor soar.
Há heróis e há simples homens
Sob os raios da grande estrela
Escrevendo a história da vida.
Há ratos roendo os alicerces
Fazendo o mundo cambalear
Sem colunas pra se escorar.
E pra isso vivemos aqui
Jogando xadrez nas sobras
Xeque-mates sob o verão.
É por isso que nosso dever
É apenas sermos esquecidos
Para o eterno brilho nos olhos.
Há heróis que pisam ratos
Cabeças de elefante, quatro braços...
São coluna cervical nessa Terra.
Quem é cada um de vocês nesse exato momento?
- humildemente dedicado a todos os heróis e a todos os ratos da história. somos apenas homens comuns, mas estamos sob os raios do sol.
Com o sol acendendo todas as luzes
Sem nenhum interruptor soar.
Há heróis e há simples homens
Sob os raios da grande estrela
Escrevendo a história da vida.
Há ratos roendo os alicerces
Fazendo o mundo cambalear
Sem colunas pra se escorar.
E pra isso vivemos aqui
Jogando xadrez nas sobras
Xeque-mates sob o verão.
É por isso que nosso dever
É apenas sermos esquecidos
Para o eterno brilho nos olhos.
Há heróis que pisam ratos
Cabeças de elefante, quatro braços...
São coluna cervical nessa Terra.
Quem é cada um de vocês nesse exato momento?
- humildemente dedicado a todos os heróis e a todos os ratos da história. somos apenas homens comuns, mas estamos sob os raios do sol.
8/09/2010


O conflito é mais uma parte da luta. O problema é quando toda a luta se resume ao conflito. A luta é mais que apenas o conflito.
Há lutas travadas por anos e lutas travadas em segundos, mas nenhuma delas se resume ao conflito. Há o alvo, há o golpeador, há o arqueiro, há a flecha e há acima de tudo o amor.
O amor permeia o conflito e a luta. Assim, podemos ser suaves o bastante pra aguentar sobre o corpo o peso e as apunhaladas que recebemos.
A grande Mãe eu agradeço neste instante por saber que meu conflito está em não conseguir ser suave para lidar com peso algum. Pra mim, 1 grama é como 1 tonelada.
De olhos abertos agora poderei sentir melhor a quantidade de peso que me for dada.
Muito obrigado
Que assim seja.
7/19/2010
Horizonte distante?
Olá queridos amigos!
Há aqui algumas pessoas que seguem esse blog e eu adoro saber que ele é lido as vezes.
Inicialmente criado apenas para servir de reservatório, ele agora é mais que isso, é uma espécie de psicólogo, ou talvez um espécie de papiro pra onde minha mente escoa...
O que tenho a dizer agora é que muitas pessoas que estavam ao meu redor estão saindo pra longe e indo procurar carreiras em outras cidades. Isso tem me deixado meio triste, meio nostálgico e especialmente com a sensação de que estou fazendo algo errado. Na verdade, essa sensação me atormenta muitas vezes e estou tentando apenas me auto-analizar agora.
Estaria eu indo de encontro ao caminho de volta ao útero? Um lugar quente e confortável com suaves sons a 55 bpm de batimentos cardíacos maternos? Segurança materna no lugar da aventura de nascer?
Estaria eu caminhando ao contrário em não estar tentando com mais força do que estou?
Pois é, ninguém poderá responder.
Acho que na verdade o melhor de tudo é se sentir bem, e é isso que venho procurando.
Tenho alcançado alguns degraus profissionais que há muito almejava. São pequenos degraus, e eu sei que na vida há intermináveis...
Sinto-me bem, mas tenho medo de não evoluir.
De qualquer forma, continuarei a caminhar.
Por favor, se alguém quiser enviar algum relato a respeito dessas dúvidas, mande pra mim.
Há aqui algumas pessoas que seguem esse blog e eu adoro saber que ele é lido as vezes.
Inicialmente criado apenas para servir de reservatório, ele agora é mais que isso, é uma espécie de psicólogo, ou talvez um espécie de papiro pra onde minha mente escoa...
O que tenho a dizer agora é que muitas pessoas que estavam ao meu redor estão saindo pra longe e indo procurar carreiras em outras cidades. Isso tem me deixado meio triste, meio nostálgico e especialmente com a sensação de que estou fazendo algo errado. Na verdade, essa sensação me atormenta muitas vezes e estou tentando apenas me auto-analizar agora.
Estaria eu indo de encontro ao caminho de volta ao útero? Um lugar quente e confortável com suaves sons a 55 bpm de batimentos cardíacos maternos? Segurança materna no lugar da aventura de nascer?
Estaria eu caminhando ao contrário em não estar tentando com mais força do que estou?
Pois é, ninguém poderá responder.
Acho que na verdade o melhor de tudo é se sentir bem, e é isso que venho procurando.
Tenho alcançado alguns degraus profissionais que há muito almejava. São pequenos degraus, e eu sei que na vida há intermináveis...
Sinto-me bem, mas tenho medo de não evoluir.
De qualquer forma, continuarei a caminhar.
Por favor, se alguém quiser enviar algum relato a respeito dessas dúvidas, mande pra mim.
6/23/2010
5/12/2010
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