7/07/2009

Hóstia
(13-14/12/2002)

Devagar, desenhando seu rosto
E rápido, observando seus olhos
Roendo os segundos de distância
E sentindo o vazio de nós...

Corpo de meu cristo, eu
Cela sem grades para prender
A letargia me aprisiona
Nos poros de meu corpo

A minha letícia vazia se expande a cada dia
Em meu corpo, meu eu, minha hóstia tardia

Rápido, trocando de pele
E lento, rastejando no asfalto
Plastificando os músculos do éden
E sendo o que quisermos...

A minha letícia vazia se expande a cada dia
Em meu corpo, meu eu, minha hóstia tardia
Quebre minha face, reescreva minha estória
Minha lápide de pele, minha casa de escória...



A Serpente
(21/12/2002)

Não, não quero compreender o que não posso
Só supor, e deixar que exista sem minha mão.
Não, não quero deitar numa cama sem lençóis
Prefiro dormir ao relento, curar meu sono cristão.

Não, não quero olhar por essa janela entreaberta
Prefiro me contentar com a imagem de sua fechadura.
Não, não quero comer a carne do corpo de uma mulher
Prefiro morrer com a fome que devasta minha escultura.

Desisto de saber o que são os segundos do meu dia
E prefiro compor para mim mesmo, uma sepultura
Uma lápide onde se lê: ¿morte tardia¿.

Corto pela raiz os sentimentos naturais do ser
E prefiro compor para mim mesmo, uma melodia
Uma canção sem palavras para dizer.


A Chuva Tardia

À noite, a mesa fria e vazia
Com sua amargura e frieza,
Contando aos olhos toda a tristeza
Que obtém uma chuva tardia.

Na parede da casa ela escorria
Sem esperanças de algo brotar,
O concreto sem sementes para germinar
Abrigava meu filho que de fome morria.

E para dentro da igreja tentamos nos salvar
Mas a chuva e a fome conseguiram nos derrubar
Para no solo agora fértil, começarmos a morrer!

E nossos corpos deitados na terra
Contemplando a chuva que se encerra
Fertilizando o solo com nossas células a perecer.



Floresta
(06/04/2003)

Sozinho, a incerteza gerada
Pela escuridão de mim mesmo
Congela lentamente a razão
Que não mais me acompanha

Deserto, a visão das árvores
Destrói aos poucos o rastro
Que deixei esculpir na alma
Para que a alma seguisse sem mim

Um último momento para dizer adeus
A floresta de mim cresceu demais
Folhas derramadas em um solo sacro
Que sujam, e quebram a paz...

Petrificado, angustiado
Exaurido, e despedaçado
A fé, o abismo, a liberdade
A dor de não saber a verdade



11

Deitado, uma praia negra dorme atrás de mim
Como o vento que já não é mais o mesmo
Eu me torno aos poucos, eu me dilacero, devagar...




Olhos

Aos sonhos de cada deus
Aos olhos de cada ser
Me locomovo perante ti
Me arrasto diante da escuridão

Sob as cidades por um fio
Durmo a noite dos mortos
Que teimam em tentar dizer
Teimam em tentar me acordar

Mas as rosas de sangue que vieram de longe
Parecem querer sempre mais para viver
E não murcham, mesmo com o sol escurecido.

E as sementes plantadas no solo hostil
Tentam germinar, tentam transpor a barreira
Tentam em vão, cortar as cortinas da lua...




A Musa Doente
(27/06/2003)

Ah, minha musa que se estende
O que faz o corte no teu corpo
Que continua oco, mesmo em manutenção
Ah, meu vento passado
Sentindo a pele que não sabe
De que dela cabe a frustração

"Loucura e horror, nas sombras taciturnas."

Ah, minha Eliete sôfrega
O que faz em tuas palmas a carne
Crua mas que não sabe quem a matou
Ah, a tal letícia já se foi
Conta pro teu corpo
De olhar também oco, o anjo que o levou.

Não há ventre pra gerar, meu amor...

Uma musa que esteve doente
Quando eu tive medo de perguntar
Estragou seu belo vestido
Só para tentar se curar
Teus olhos ocos são agora
Visão da noite a perguntar
Talvez comer ópio me ajude
Talvez as estrelas e a lua possam me ajudar.

"Medo e frio, parece que toda a vida se foi de mim. Eu sei, a culpa foi toda minha, não precisa gritar. josias ou eliete, tanto faz do que queiram me chamar. eu só queria poder ser o que eu era, um templo vivo, um ser humano, uma taça a esbordar."



A terra além da floresta
(14/11/03)

Bm7 F#m7 G D
Através dos montes Cárpatos
Bm7 F#m7 A A#º
Eu sei que você vem
Bm7 F#m7
Então
G D Bm7 F#m7
Traz a dor da compaixão
A A#º
Em meu corpo só
Em Bm
Que seria sim
G A
O meu templo em fim
A#º
Mas que se foi de mim
(B G E F#)2x
Bm7 F#m7 G D
Eu parti, de mim mesmo a tempos
Bm F#m7
Atrás
A A#º Bm7 F#m7
Me perdi e não senti
G D Bm7 F#m7
Toda a deformação
A A#º
Minha cela então
Em Bm
Minha nova casa
G A
Minha nova razão
A#º
minha velha destruição
(B G E F# B G F# A A)
G
Eu sei
B
Eu sou
E
Eu tentei
F#
Não durou
G B
O que eu pude fazer
E F#
ESTOU PRESO EM MIM MESMO!

(B G E F#)4x (G A B)4x
(G A Bm)
Não adianta mais
Ele já se foi
O meu único deus
A
EU...

G
...sei
Bm
Já não sou
Em
Eu tentei
F#m
Acabou
G Bm
O que eu pude fazer
Em F#m
Estou preso
Em F#m
Estou preso
Em F#m Bm
atrás de grades que nunca irão cair.




Josias
(25/10/2003)

Existe uma multidão estagnada
Dentro de meu coração
Ele se debate e uiva
Mas não consegue em fim vencer

Existe em mim a questão:
Que olhos vão durar pra me ver
Quando a vida me vencer
E por fim me tornar chão?

E quando será isso, já que temo
Já que peço e preciso
Desse minuto de compaixão
Dessa prova de estar vivo
Desse derradeiro destino que nos traz
Com certeza a sensação
De viver?

E quando poderei ver o mar como espelho
Pra corrigir minhas infinitas imperfeições
Pra espelhar o céu que é infinito
Pra livrar me da cadeia
Viver
Morrer
Renascer

Grades
Grades
Grades



Coma
(21/03/2003)

Oh Pai, meus olhos não mais enxergam,
Eu tento me esquivar, mas estou cego
E quando finalmente sou atingido
Sangro pecados salgados de meu ódio

Oh Pai, meus ouvidos teimam em não escutar
Sei que existem tantas palavras, mas estou surdo
E quando por um instante lembro-me de sua voz
Ela é sugada pelo resto de meus ruídos

Oh Pai, minha pele agora já está dormente
O vento, o sol e a chuva existem, mas não posso senti-los
E quando sei que sou ainda um ser humano
Volto a lembrar o que é a dor, e perco a consciência

Oh Pai, minha boca e minhas narinas não mais sentem
Meu mundo particular está criado, sem cheiros e gostos
E quando consigo construir meus prédios catatônicos
Um terremoto gigantesco me mata de cada maneira

Deixe-me morrer finalmente, se ainda não morri
Deixe-me partir de mim mesmo, e encontrar a luz

A luz que a muito não contemplo, que a muito se escondeu de mim
Atrás de pupilas rasgadas por minhas próprias unhas
Os sons que se foram por causa de uma tristeza imensa
Que matou minhas células, necrosou meu mundo
Os prazeres que partiram inevitavelmente quando a frieza
Dos metais resolveu conhecer a ingenuidade de minha medula
Quando por final me entreguei a meus próprios méritos
Quando por inteiro deixei de ser o que eu sempre fui
Ou apenas conservei os vermes de minha alma
Matando, meus últimos momentos de naturalidade
Com drogas eternamente simbióticas a meu ser doentio

Oh Pai, salva-me desse universo insípido
Dessa amargura branca, desse monstro alado

Oh Pai, olha pra mim e diz, diga pra mim e sinta
Sinta por mim e ame, o que nunca pude amar...



Silêncio (Para Mim)
(17/07/03)

I
Nos meus olhos, dores infinitas
Talvez nada possa me curar
Nos meus dias, o sol escuro
Canta a morte bem devagar

As grades são as verdades
Os muros são as dúvidas

Nada pode me fazer querer
Nada que existe em mim
O meu corpo só é um hospício celular
O meu ser brinca de ser alguém a se odiar

II
Palavras são a liberdade
Ações são minha razão

No meu corpo, vejo a precisão
E temo agradecer pra sempre
Nos teus olhos, vejo você
Somos o mesmo separados pra sempre

Nada vai me impedir de ser
Nada vai me dizer seu nome
O universo só é uma passagem física
Minha alma é quem diz quem sou

III
O futuro não é mais o que o passado tentou fazer
Minhas mãos nunca estiveram sozinhas
O meu corpo é uma peça importante do jogo
Mas meu único Deus é maior que isso

Veja-me agora que estou aqui
Veja-me agora que sou imortal

E as flores do meu jardim nunca mais irão morrer
Pois suas pétalas agora sabem que eu existo...




XVII

Um sol pálido me cobre de luz
Me ilumina a tarde, sólida
E me contemplo só em uma esquina
Sozinha ela vai embora
E eu a mantenho, em minhas veias.
Um gosto branco em minhas narinas
Sua pele e seios
Ela




Pequeno Monólogo de Alguém
(03/02/2003)

Detesto ver os olhos de quem não me enxerga
Detesto observar o que não posso ter, acima de mim
Detesto ter que olhar pare meu futuro

Detesto ter que beijar a boca amarga e dizer doce
Detesto esconder de mim mesmo o que eu não preciso, o que eu não sou
Detesto que todos me vejam, e ninguém me enxergue.




Palavras
(08/01/2004)

"Palavras mortas deitam-se
Sobre cada neurônio meu,
Elas tentam cobrir-me do sol
Que a muito se foi de mim"

Palavras sóbrias soam,
Um ser incerto as ouve
Digere de forma dolorosa
Defeca de forma repugnante!

"Quem sou eu meu Deus?" grita a criatura
Tentando compor em canção tal pergunta
Descobrindo que o céu é uma mentira

E caindo ao solo que agora lhe inspira
Percebe grãos perfeitos de areia musical
E olha pro céu que agora é só feito de palavras...




Oceanos (Parte II - O milagre e o entendimento)
(9 e 13/06/02) Para meu avô Rubens

Meus olhos abrem-se para o que nunca vi
Percebo o que sempre procurei
Eu sei de que são feitos meus oceanos

E por mais que o céu espelhe a todo o conhecimento
De mim nuca conhecerão o sono
Dorme em meu colo o entendimento
De meus sonhos então a cela/o ser e a dor

De baixo das pétalas do caule
Existem sonhos ainda escondidos
Eles desembocam em rios de meus oceanos

E por mais que o sol ilumine meu esquecimento
Não há mais luz pra me acordar de manhã
Nas visões dos meus netos encontro o tormento
De uma sinfonia surda que ninguém ouviu

A poesia que um dia foi minha
Se consumiu por completo e sozinha
Não existe dor em meus olhos
Pois todos os anjos já foram mortos




O Segredo

Tudo aquilo que pensei ser
Todos os sonhos que pude ter
São flores maldosas, maldade e razão
Meu corpo é uma cela, células e prisão

Mas sei que não há mais segredos aqui

Inertes
Inférteis
São sonhos mortos que não podem
Ser
Existir
Em primaveras negras o medo...

"Eliete, me conte o porque
Se todos se foram, pra que viver?"
Espinhos em taças que não transbordam
Secam/evaporam, desistem/inexistem

Inertes
Inférteis
São sonhos mortos que ninguém pode
Ser
Existir
Em primaveras negras o medo
do segredo
do desejo de ser
o segredo
é que não podemos ser

Inertes e inférteis, são sonhos mortos que alguém pode ter
E sentir a primavera negra em que o medo...




Nova
(05/07/03)

Nova sente a vida diferente
Passados moram em sua mente

E não passarão - Monstros na escuridão
Morte-cor em seus olhos - A visão...

Nova sente a morte de repente
Seus lábios a beijam de frente

E não restarão - fragmentos no chão
Morte é seu nome - Nova não...

"Lábios que se abrem para o beijo
mas nunca sentem o frio a deslizar
Morte em tudo que eu desejo,
Mortos dentro de meu olhar..."

Morte, meu coração - Solte minha mão
Deixa o ser em mim mesma - Nova visão.



Morfina
(12/08/2003)

Existe um compromisso de cada célula
Com a morte que espera, a cada momento
Existe em mim, o compromisso com a dor
Com a morte e com o sabor da vingança.
Uma lâmina que corta mais fundo a cada dia
Se encarrega de resgatar o que era meu ódio
Uma lâmina que destrói minhas células
Que me causa de longe, uma grandiosa autólise.
Deixe-me morder meu corpo
Ele só quer sentir um pouco mais dessa dor
Deixe-me cortar meu corpo
Ele só quer sentir-se único em um mundo distante

Ah, um abutre que vociferou meu nome
Guarda o pedaço do granito afiado
Que entre os dias que trago
Para meu túmulo velar.
A porta que nunca mais se abrirá
Mas que permitirá olhar
Para dentro de minha eternidade
E perceber que sou nada

Mais um homem em um infinito campo de acácias
Que se rasteja entre a perfeição das pétalas
E a tortura dos espinhos afiados
Mais um coitado que se perdeu de casa
Que nunca mais voltará a ser o que é
Que tem medo de virar cada esquina de sua vida.
Longe de seus abismos e na verdade dentro deles
O céu é apenas um infinito mar de sonhos
Nunca atingido
Nunca transposto
Até agora...


O Cemitério
25/03/2004 às 22:42
E existiu a incerteza,
Que se cultivou cedo
Em campos vazios
E ásperos chamados de coração...

E a ela foi confiada à água
Que escorria como lágrimas
Das rochas mais altas
Da planície que é a face.

E a incerteza tornou-se dúvida
E a dúvida, rancor e finalmente
Ódio, quando todos foram embora.

E um dia a água cessou
E o áspero campo tornou-se cinza
Onde novas flores começaram a crescer.



A Um Inimigo
14/02/2004

Recoberto pela imensa névoa da alucinação
Voltado para rasgos pequenos e invisíveis
Ele contempla a chuva em suas veias
A queda de milhões de pedaços de si mesmo

Tocando-se ele percebe a carne por baixo da pele
E consulta a si mesmo sobre a possibilidade
Lambe-se e comprova o sabor, grita e comprova o som
Vivo e sem saber porque, emerge lentamente

A lama uterina criada por completa imunodeficiência
Passa-a para mim e desgasta a terça parte
Globos oculares que nascem mortos pra ver o sol
Glóbulos pequenos escapando por entre os poros!

Insatisfeito ele rabisca o sol com as unhas
Imperfeito a sua carne se decompõe lentamente
Inconformado por não conseguir o sustento
A mandíbula cai da face e seus olhos choram

Contando até os últimos momentos
Seus vermes o abandonam pelos orifícios
Sangue no chão
E no teto

Caindo sob a árvore ele percebe o chá
Entorna sobre seu cabelo, molha o coro
Não percebeu e não molhou de verdade
O mundo não parecia tão aconchegante

Corta-se
Arranha-se
Destrói-se
Mutila-se

Novamente seus olhos abrem-se para ver a chuva
Que cai lá fora
Levando-o embora
Pra sempre




Frágil

De repente, a vida tornou-se frágil
E as nuvens de arrogância se dissiparam

Ah, e meu mundo tão real
Se tornou abstrato demais
E meu dia surreal
Trincado em sua borda de cristal

E a vida passou diante de minha janela
Sem entender, eu me atirei nela

E sobre Minha Paz
A que sempre pude perceber
E sobre minha dor
A que sempre pareceu real

E os deuses passam na semana
Que não mais quero ter em paz

Ah, e meus dias tão reais
Se mostraram frágeis demais
E meu mundo surreal
trincado em sua borda de cristal


Absinto
02/05/2004 (4:14 da manhã)

Fada
Destrua as pontes de minhas ilusões
Seja
A sobra verde que reforma as paixões
E erga meu peito e rasgue meus sonhos
Que caiam por terra os dias distantes
Entorpece os olhos a muito tristonhos
Com o ar ácido e palavras cortantes

Em minhas veias, pecados mortais
A meus olhos: tarde demais
Em garrafas de sonhos carnais
Suicídio: meu medo traz...

E nas folhas: o mal impiedoso
E no ventre...
Em meus braços: o ar rancoroso
Em minha alma: absintio!

Fada
Arrasta de mim o real carrasco
Seja
O que me salva do fracasso
Mata meu corpo e destrói o passado
Com o sumo da erva o amargo da luz
Corta meus pulsos, meus olhos vendados
Com o verde do suco o mundo abstrato!

Onde foram parar os sonhos que tentava guardar?
Onde foram parar minhas dores que tentava matar?




A canção da raiva
18/06/2004

Pele e escarro caindo de mim
Sangue e sonhos pingando
E eu não estarei vencido
Estarei sob meu altar
Em vocês!

Lágrimas e gritos enchendo a sala
Lesmas e grifos me arranham
E eu ainda estrei de pé
Vomitando eu mesmo
Em vocês!

E o que eu digo morre em mim mesmo
E o que canto serve para mim mesmo
Enquanto houver vida, haverá luta!




A PRAIA VAZIA
(22/09/2004)

...e a praia deserta
Cantando com o vento
Uma melodia difícil
Descobre o espinho
Da noite invisível
Que perfura o dedo
E sangra singela

...e despida se deita
No manto do mar
Sob um lençol estrelado.
A dúvida te corta
Como um espinho dourado
E o vazio te observa
Pela janela imperfeita.



(05/11/2004)

O frio da pele se confunde
Se desmonta sobre minha língua
Que desesperada se atormenta
Pelo suor de sua testa...

E me guio devagar em tua coluna
Descendo e sentindo os minutos
Olhos que se foram de suas órbitas
Em momentos de tato e gustação

Líquidos do meu corpo se despedem de mim
Se escondem em sonhos de sua pele
Que me acorda toda tarde de sábado

E a língua que esfrega em tuas costas
A saliva e o sabor de minha única pele
Esquece a vitória do dia e enfrenta a tortura da noite





Um poema pode ser uma frase
Um pomar pode ser uma árvore
Uma cantiga pode ser uma nota
Um carinho pode ser uma palavra

Um minuto pode ser tempo demais
Tempo pode ser o que não há
Dizer pode ser além do permitido
Além do que me permiti fazer aqui

O mundo anda pequeno demais pra mim
O século passa rápido demais entre meus aniversários
A noite se esconde na futilidade dos poetas

Eu sou fútil: sou poeta
Sou músico e escritor
Sou apaixonado mas não apaixonante
Sou a lástima de mim mesmo
O medo
O muro
O surdo

6/22/2009

GABRIEL ARAÚJO - Gabriel Araújo (2009 - Independente)



Numa dessas tardes de domingo em que você só pensa em relaxar, fui para o computador olhar e-mails e o twitter enquanto tomava um whiskey e buscava algo para ouvir. Parei no disco que havia acabado de receber, o auto-intitulado de GABRIEL ARAÚJO. A primeira coisa que observei foi a belíssima capa (cunhada pelo fera Bruno Borges), um trabalho de arte gráfica que ilustra bem o que se pode encontrar dentro do disco. Ok, coloquei a bolacha pra rodar e fui ficando intrigado com a intro. Um violão desafinado sendo escovado e tendo suas cordas esticadas para chegar a afinação. Logo em seguida, "Olhe pra'qui" iniciou seus acordes demostrando um trabalho harmônico complexo e muito bem composto. Texturas de sons aparecem ao fundo aumentando a profundidade da canção que demonstra um misto entre o experimentalismo, violão erudito e o alternativo.
A quase minimalista "Casamento Judeu" impressiona a cada momento ficando cada vez mais bela e mais tensa e demonstrando como apenas um violão torna-se o bastante para uma canção como essa. "Dia de vento" é com certeza uma das minhas prediletas. Suas estruturas complexas levam qualquer ouvinte a uma viagem de 11 minutos sem volta. Entramos então em "Cronologia Suspeita", tema desenvolvido em duas partes. A primeira é climática e hipnótica, com seu dedilhado arrastado e ruídos ao fundo é mesmo uma canção com cara de trilha sonora. Já a segunda parte é a canção mais atípica do álbum com arranjos de sintetizadores e sopro muito bem colocados. Uma atmosfera de jazz contemporâneo (que lembra grupos como The Cinematic Orchestra por exemplo) vai te embalando enquanto linhas de baixo vão dançando e rimando com sutis guitarras ao fundo. Essa canção demonstra claramente o potencial do compositor e a maturidade como produtor alcançada por Gabriel Araújo.
Seguindo em frente, mas um momento hipnótico e de grande beleza vai aparecendo em "Panorâmica da Ponte", faixa de 10 minutos que vai te deixando em estado letárgico, como uma mantra sem palavras até que você acorda no "Fim". Essa última faixa é na verdade uma espécie de resposta ao que aconteceu na "intro". Aqui, as cordas do violão são gradualmente folgadas até a completa desafinação.
Em resumo, minha tarde de domingo tornou-se uma viagem progressiva, exotérica, minimalista... Recomendadíssimo como trilha sonora dos momentos de reflexão e leitura. Gabriel Araújo está de parabéns! Já estou aguardando os próximos!

6/18/2009

ninguém é perfeito




ninguém é perfeito
ninguém é perfeito
ninguém é perfeito
...

6/17/2009

Acontece o seguinte:
a vida é uma equação matemática com infinitas variáveis. Se cada uma dessas variáveis é um universo paralelo, todos os dias, ou melhor, a cada segundo, uma nova infinidade de universos paralelos surge.

Imagine que toda a sua vida num desses universos é exatamente como se tudo desse certo. Imagine que aquele sonho elo qual você sempre lutou se realizou e você desfruta dele dia-a-dia com felicidade. Imagine que aquelas pessoas que puxam você pra trás tentando te fixar num único lugar da caminhada simplesmente se tornassem grandes impulsionadoras da sua vida.

Eu me pego imaginando isso várias vezes. Agora mesmo, momentos antes de ligar a tela do computador e iniciar esse texto eu estava imaginando como seria minha vida se esse fosse o universo onde tudo dá certo.

Diante de infinitas possibilidades (assim como as que acabaram por formar moléculas que resultaram nas primeiras células) eu acredito que exista um universo assim. Sem idiotas no governo, sem miséria na África, sem crime... sem doenças.

Lá eu seria um músico vivendo de sua própria música e sendo feliz a cada acorde. Lá as pessoas me impulsionariam a continuar e não tentariam a cada passo me passar uma rasteira. Lá todos conseguiriam ser o que quisessem e seriam além disso felizes.

Mas, vivemos um universo imperfeito, assimétrico, inconseqüente e doloroso.
Dizem que pra tudo há um motivo, será que há porque existirmos assim?

6/03/2009

2 - ...

Sentado a frente da sua tela de computador, Gregory analisa cada detalhe do e-mail que acabara de receber. Aparentemente mais um texto sem importância, uma propaganda qualquer chamada de Spam. O problema era que esse spam tinha uma quantidade enorme de símbolos e informações específicas a seu respeito, informações que nem mesmo sua família e seus amigos conheciam.
- Isso só pode ser uma coincidência – pensava em voz alta.
Era tão absurdo que seus segredos agora estivessem ali sendo expostos pra ele mesmo que, a cada frase lida, sentia uma forte pontada de pânico aumentar.
Levantou-se absorto com a mão esquerda sobre a boca como se estivesse tentando conter qualquer tipo de frase que poderia estar sendo observada, pois ele no mínimo estava sendo vigiado por alguém ou alguma coisa. Olhou para as cortinas do seu apartamento e pensou em buscar microfones, câmeras ou qualquer tipo de evidência de ele não era o único ali naquele momento.
Gregory iniciou uma busca desesperada pelo aposento em que estava. Iluminado apenas pela tela do computador, esvaziou gavetas, revirou armários, levantou móveis e nada encontrou. O nervosismo crescia a cada momento. Olhou para garrafa de Chivas Regal 12 anos que descansava quieta sobre a escrivaninha, encheu um copo em uma dose quase tripla e engoliu tudo de uma única vez. Havia esperança nele de que o Whiskey pudesse acalmar sua mente e fazer com que ele pudesse raciocinar melhor e descobrir o que estava acontecendo. Sentou-se novamente olhando fixamente o e-mail causador de tamanha reação e começou a pensar. Não adiantava buscar em nenhum lugar evidências de que estivesse de alguma forma sob investigação pois o conteúdo do e-mail nunca havia sido dito em voz alta. Apenas ele sabia.
Pensou então nos dias que perderia quando aquelas informações se tornassem públicas. Nas alegrias que deixaria de ter por ser alguém como ele era. Mas ele não tinha culpa, apenas havia se levantado da cama um dia e descoberto o sentido da sua vida. Ele se sentia culpado enquanto repetia para si mesmo que não deveria se sentir assim já que nunca havia procurado por isso.
Concluiu que não havia forma de se manter vivo enquanto o mundo ficava ali, horrorizado por aquelas descobertas.
Gregory abriu as janelas e olhou por cima a noite de Manhattan. Na mão esquerda a garrafa de Chivas aberta e já perto do fim contrabalançava seu equilíbrio enquanto bêbado, se pendurava do lado de fora e contemplava o chão a muitos metros de distância. Ele não conseguia entender, mas era melhor não tentar mais. Fechou os olhos e notou algumas gotas de chuva que começavam a cair e decidiu que nunca mais tornaria a ver o mundo, pois aquela escuridão era muito mais confortável que as luzes cruéis da vida. Sorveu os últimos goles como se fosse água mineral e jogou-se pela janela.
A polícia encontrou seu computador ligado e seu apartamento revirado. Na tela, a página do e-mail continha uma mensagem curiosa rodeada por símbolos pouco normais. Quando o inspetor Mcground começou a ler, percebeu de que se tratava de um Spam de um novo filme: http://www.getdigital.de/images/produkte/pi-poster.png

4/28/2009

O Livro da Carne - I


1.Como matar de verdade


Se eu pudesse retornar ao meu passado para passar uma borracha em algumas coisas que fiz, eu com certeza faria isso com pequenos momentos onde eu pequei contra o meu maior mandamento de hoje em dia: não amar.
Sinto-me imensamente culpado por ter dito que amava minha mãe e por tê-la abraçado tantas vezes pra sentir o cheiro reconfortante de sua pele. E minha mulher, sinto muito por tê-la amado demais, por ter
dado a ela dois filhos lindos que eu olhava todos as madrugadas enquanto dormiam. Sinto muito por ter pena de todos os que eu vi sofrendo e, por uma espécie esquisita de amor, ter tentado amenizar seus sofrimentos.
O amor enfraquece a alma e como era de se esperar, me deixou tão fraco quanto um graveto seco no chão que se parte e se esfarela quando uma criança pisa em cima dele.
Já fazem dois anos que eu me tornei uma espécie de nômade da cidade. Eu nunca paro por muito tempo em um lugar. O pouco dinheiro que consigo é realizando serviços na maioria das vezes desagradáveis demais para que alguém possa querer fazer. Eles me pagam e eu simplesmente transformo toda aquela nojeira em comida no final do dia.
Assim que eu resolvi recortar o amor fora da minha vida eu tive que tomar a decisão de nunca mais parar de andar. Nunca mais me sentar num ponto de ônibus e puxar conversa com uma garota bonita que poderia se tornar uma nova namorada, um novo caso, uma nova mulher ou uma nova mãe dos meus novos filhos. Não queria ouvir velhos contando suas histórias de vida no metrô enquanto eu voltava pra meu apartamento barato alugado em qualquer lugar sujo o bastante para ninguém querer saber onde eu estava.
E quando um novo laço de amizade se formava sem minha intenção, num momento em que eu abaixava a guarda, eu mudava de novo de cidade. Ia pra longe.
Mudei meu nome e minha forma de viver. Eu tenho meus propósitos, vou contar tudo aqui.
Eu cresci numa família áspera e tentava suavizar essa aspereza no passar da minha vida. Vi meus familiares tentando se matar várias vezes, gritando e se unhando até que ficavam semanas sem se falar sob o mesmo teto, desejando a morte uns dos outros. Só a minha mãe era doce o bastante para não ficar amarga como todos os outros. Durante 25 anos eu vivi sob ameaças de morte e todo o tipo de maldade que poderia ser feita entre seres humanos, e o mais absurdo, éramos todos primos,
avós e tios...
Eu tentava sem parar fazer com que o ódio fosse extinto daquele âmbito, mas o que eu conseguia era algo efêmero e raso que não durava sequer algumas horas. Então eu me cansei e resolvi ir morar em outra casa, com a minha futura esposa. Sim, eu senti um imenso amor crescendo dentro de mim e eu não o mantive entre paredes, eu o deixei crescer e florear. Foi quando ela engravidou dos gêmeos. Nosso dinheiro não crescia em árvores, mas cortando muitos luxos nós conseguíamos providenciar o básico da alimentação, vestimenta e educação. O resto, todas as lacunas matérias eram docemente preenchidas com amor incondicional e com dedicação familiar.
Mas é muito complicado, eu, uma ser altamente enfraquecido pelo amor, deixar de sentir um remorso que crescia e me corroia feito um câncer maligno quando eu pensava nos meus parentes que se odiavam (meus irmãos e pais) e principalmente na minha mãe, que querendo formar uma nova família, se associou ao inferno.
Fiquei sabendo que uma guerra havia realmente sido declarada entre eles. Meus tios querendo arrancar os olhos dos meus irmãos, meu pai querendo esquartejar meus avós paternos (sim, era apenas o sangue paterno o contaminado pela raiva e pelo ódio). Na semana seguinte, tomei conhecimento que um dos meus primos havia sido esfaqueado pela minha avó e isso fez com que ela perdesse muito sangue pois ninguém permitiu que a ambulância o levasse para o hospital. Quando lá chegou, em estado de choque, ele passou pelo infernal tratamento público que nosso país oferece, mas morreu antes de conseguir repor seu sangue.
Diante disso, eu, temendo pelos meus familiares mais próximos, tentei apaziguar todos. Conversei com cada um deles, mas encontrei apenas armas apontadas em minha direção e ameaças a mim e a todos da minha família.
Eu me lembro como se fosse hoje quando eu cheguei à casa dos meus pais e lá estava uma guerra sendo travada. Meus irmãos choravam com seus olhos esbugalhados de ódio enquanto lutavam contra uma reunião de primos e tios que se organizaram pra acabar com a gente. Ninguém deveria sair vivo. Entrei correndo. Meu pai sangrava pela boca e tinha uma das pernas esfoladas, mas ele não parava de golpear com o facão. E quando eu cheguei à cozinha, próximo ao fogão eu encontrei o que eu mais temia: minha mãe, ou o que restava dela, caída ao chão, sem braços ou pernas e ainda agonizando. O chão branco da cozinha se tornara vermelho, uma poça caudalosa de sangue. Joguei-me ao chão e olhei em seus olhos. Eu vi quando suas pupilas dilataram.
Eles haviam encontrado minha mãe sozinha em casa. Resolveram tortura-la antes de dilacerarem seus membros.
Eu senti algo escorrendo de mim, como uma artéria aberta, jorrando e jorrando, enquanto outra substância me preenchia. Esta agora, era negra e quase sólida.
Levantei-me devagar como se fosse uma criatura feita de sangue, pois estava coberto com o liquido que coloria o assoalho da cozinha. E aí eu perguntei silenciosamente pra deus o que ele queria me dizer com essas atitudes. Eu olhei pra cima e só vi o teto de concreto, sem nenhum deus para me responder qualquer pergunta, sem nenhuma palavra aconchegante ou calmante naquele meu momento de necessidade.
O que aconteceu logo em seguida foi que todos os meus músculos se relaxaram e uma incrível paz interior me dominou.
Os barulhos da guerra continuavam lá fora. Gritos, meus irmãos chorando enquanto lutavam, meu pai golpeando em silencio, totalmente fora de si.
Me abaixei na dispensa enquanto o sangue do chão coagulava entre os dedos dos meus pés descalços. Lá dentro encontrei um pequeno estoque de álcool. Seis garrafas fechadas e uma já aberta com um pouco mais da metade do conteúdo. Peguei um balde pequeno e o enchi com todo o álcool que encontrei. Peguei pedaços de jornal e também os fósforos e subi as escadas indo em direção à varanda. Lá de cima, com o coração extremamente confortável eu visualizei toda a guerra. Joguei todo o conteúdo do balde sobre meus tios e primos, como se fosse uma espécie de benção que eu lhes conferia com aquele conteúdo benzido pelo puro ódio.
Alguns não perceberam, mas antes que pudessem fazer alguma coisa, eu já estava com um chumaço de jornal aceso em minha mão. É impressionante como o fogo produzido pelo álcool produz uma chama quase invisível. Era percebido que havia fogo, pois todos gritavam desesperadamente enquanto suas roupas se dissolviam e o cheiro de cabelos chamuscados e pele queimada subia pelo ar... eu me sentia como um artista que dava os últimos retoques na sua melhor tela.
Enquanto ainda queimavam e eram dilacerados pelo meu pai e irmãos, eu saí andando, largando o grande amor que eu sentia pra trás, deitado morto na cozinha.
Passei em casa e ninguém estava lá. Peguei algumas roupas, coloquei na mochila. Não deixei bilhetes nem presentes, simplesmente parti.
Creio que muita gente deve ter achado que eu fui embora para fugir da polícia. Mas eu estava fugindo do amor e do afeto que ainda poderia restar em minha vida. E assim eu continuo pulando de cidade para cidade, trabalhando nos lugares mais fétidos que encontro e que me paguem o mínimo para comprar cigarros e um prato de comida por dia. Não quero amigos, não quero amores, não quero viver muito. Só quero aceitar a herança que corre nas minhas veias, o ódio e a sede pelo sangue.

2/19/2009

A. entra na casa. Olha para o teto que é na verdade um forro de PVC sujo e embolorado. Ele acha que será mais uma noite em sua vida. Olha para os lados e descobre que todos já tem o que fazer. Não há ninguém além dele. Ele se deita no sofá e dorme. Os pés aparecem pra quem olha do lado de fora da porta.

Eles entram, enchugam com balas incandescentes todas as memórias de cada uma das pessoas daquela casa velha.

A. é agora zero.

E nós?

Conseguimos entender de quem é a culpa? Conseguimos entender quem sofre mais?

Precisamos saber que a infância tem fim e que na verdade, os brinquedos podem significar mais do que a diversão.

Meus pêsames a todos.

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6/08/2008

Rio Lijiang, perto de Yangshuo, China







Percebi que olhando fotos de lugares como esse eu perco a necessidade de tomar anciolíticos. É perfeito o que há ao nosso redor. Espero um dia poder colocar meus pés nesse maravilhoso lugar.

"Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros."

Frank Zappa
Tenho me atrasado para cordar
Demorado para perceber e retornar
A aspereza vigilante do dia
Construída nas pequenas coisas

Tenho me atrasado para a cólera
Demorado a atingir a posição de luta
A sagacidade da guerra diária
Transformando-a em circo

Tenho me observado menos, me descrito menos
Me angustiado menos, me menosprezado menos
E isso me fez perceber melhor as núvens e as estrelas

Há um mundo lá fora mas eu prefiro morar aqui
No colo da minha completa satisfação
Na esperança de viver mais um segundo e cada vez mais feliz!

6/03/2008

A estória de minha própria loucura parte 7 - escreverei pra sempre, enquanto o sempre não tiver seu fim.

- "O cérebro é dividido em dois meu querido amigo e, obviamente, cada um desses hemisférios tem uma função diferente." - disse Lua, em seu tom áspero.
Jano fingia tomar notas enquanto sua cliente exercitava seu ego.
- "O hemisfério esquerdo é cartesiano, duro e quadrado." - continuou Lua - "O direito, sonhador, leve como o ar, incopreende o compriensível mas contempla o todo sem esquartejá-lo. Eu quero atingir os dois, os dois lados do cérebro. Nossa campanha publicitária tem que fazer com que o possível cliente lembre-se sempre daqui."
- "Senhorita Lua" - disse Jano, completamente inseguro - "já que a senhora compreende tão bem o processo, poderia me ajudar a ter uma idéia?"
- "Claro Jano, na verdade, vou te dar a melhor de todas as idéias: trabalhe e pare de tentar extrair seu trabalho dos próprios clientes..."
Jano lembrou-se das pequenas manchas de sangue no lençol. O medo o invadiu. Queria estar sozinho mas não poderia. Lua o observava atentamente como se tentasse compreender os já quase cinco minutos de silêncio. Tentava formular em seu cérebro tudo o que era necessário para que seu mais novo objeto de estudo poderia estar sentindo. Sim, ela havia escolhido Jano como novo campo de trabalho.
Em meio a pressão que Lua exercia, Jano caiu novamente em seu desespero. Ela não consiguia controlar a situação. Entoava o mantra apara si mesmo: "porque o mundo é tão ruim assim?" Não entendia o que tudo aquyilo poderia significar para ele. uma prisão dentro de ,seu próprio corpo, de sua própria alma.
- "JANO!" - gritou Lua, de forma inesperada.
Jano deu um salto. Seu estômago se apertava e doía, suas mãos tremiam freneticamente.
Lua o segurou pela camisa, puxou-o de forma violenta e vociferou:
- "QUAL É A COR DOS MEUS SAPATOS?!"
Ele não entendia, não queria entender. Queria na verdade desmair, dormir, morrer...
Lua gritou novamente e não obteve resposta. Soltou-o e ele caiu sentado no sofá. Rapidamente ela começou a fazer anotações em seu caderno. Havia finalmente encontrado alguém com o perfil que ela queria para poder estudar.

2/18/2008

A estória de minha própria loucura parte 6 - escreverei pra sempre, enquanto o sempre não tiver seu fim.

Havia na memória quase desperta de Jano um sonho breve, algo como um beco sem saída onde tinha entrado mas não conseguia achar mais o caminho da rua. Lentamente abriu os olhos e observou que os lençóis estavam cheios de manchas pequenas de sangue. Achou estranho já que repetia diariamente o ritual de trocar suas roupas de cama. Além disso, seu corpo não mostrava nenhum sinal de ferimento. Sentou-se na cama e passou a mão nos cabelos compridos tentando provocar o alinhamento dos fios da melhor forma possível com os dedos. O quarto da casa da sua mãe era na verdade o maior de seus refúgios. Mesmo agora, nesta fase onde Jano passava a maior parte da vida perto do trabalho pois ficava muitíssimo tempo em torno de suas campanhas de publicidade, o único lugar do mundo que parecia fornecer a ele a sensação de estar seguro era esse quarto.
9:30 da manhã, ele olhou no relógio de pulso que vivia pendurado na guarda de sua cama e se lembrou que havia marcado um encontro com uma estudante de psicologia para poder ajudá-la a criar uma campanha publicitária para a clínica da qual fazia parte. Extranhamente a mulher se chamava Lua e tinha uma voz que sibilava entre o suave e o irritante. Era tudo o que ele conseguia saber pois até o presente momento só tinha conversado com ela por telefone.
Levantou-se, cumpriu rigorosamente seu ritual matinal de tomar o desjejum lentamente lendo algum livro, escovar os dentes, colocar uma música e se trancar no banheiro onde por sua vez ele se concetrava sozinho tentando acumular forças para viver seu agitado dia.
Na verdade Jano estava morrendo de medo. Não sabia o que estaria se passando com sua vida. Sentia-se perdido em meio a um complexo sistema de verticalização do qual ele não queria fazer parte. Sentia medo por estar estagnado profissionalmente e muito em breve, criativamente. Jano sentia pavor de passar mal em um lugar onde ninguém o conhecesse, ser levado para um hospital de carniceiros e pegar alguma infecção ou algo pior. Jano sentia-se doente por causa das inexplicáveis manchas em seu lençol. A única coisa que ele consguia pensar era que as manchas poderia ser resultado de uma tosse noturna. Isso por sua vez indicaria que seus pulmões estivessem com algum problema grave. Sentiu então uma dor, como uma faca sendo cravada em suas costas. O pulmão doía, mas não havia doído até o presente momento quan Jano havia supostamente encontrado a explicação para as manchas.
Saiu do banheiro muito tempo depois e pois-se a ir de encontro a Lua. Levou bastante tempo pegando o metrô e quando lá chegou, Lua já lhe esperava.
- "Olá, meu nome é Jano. Gostaria de falar com a senhorita Lua por favor."
- "Aparentemente rapaz, a sensação de estar vivendo em seu mundo catatônico transforma sua visão em algo borrado e não acessível ao cérebro. Eu sou Lua, e este é meu crachá, como pode notar, meu nome está nele."
Jano preferiu não debater tal grosseria. Lua por sua vez pareceu guardar rancor por um fato tão insignificante. Ela fez com que Jano entrasse em seu escritório para que pudessem conversar sobre as propagandas e foi lá que Jano começou a ver que tudo no universo apresenta alglum tipo de sentido.

2/17/2008

A estória de minha própria loucura parte 5 - escreverei pra sempre, enquanto o sempre não tiver seu fim.

- "Tem gente que diz que nós viemos parar nessa terra pra poder entender melhos o que há acima das estrelas menino. Você sente isso?"
Jano esboçou um sinal positivo enquanto ainda tentava contemplar a sua impossibilidade de retornar à sua casa.
- "Ele fez isso com você, levou seu sino. Ele parecia querer te ajudar, mas apenas roubou você. O que será que despertou o interesse dele pra lhe cometer esse mal?"
Jano não mais ouvia o segundo agricultor que continuava de pé atrás dele. Quando Jno se virou, notou a grande árvore carregada de frutos e decidiu rapidamente comer seu remédio. Não sabia ao certo se era veneno ou a cura pros seus males, porém, ele não se importava agora, qualquer uma das duas alternativas funcionaria. Ele só queria não ter que estar sentindo tanta aflição.
Andou até a árvore mas se sentiu enfraquecido a cada passo até chegar a cair de joelhos e não conseguir levantar os olhos.
- "Você não conhece o significado do poema dessa árvore. Ela está aí plantada há muito tempo e ninguém vivo conseguiu ter a energia vital que ela acumulou durante todos esses anos."
Jano olhou para o homem com aparência de agricultor e esse lhe estendia a mão. Ao se levantar ele notou que estava um pouco mais aliviado, mas que ainda sentia o pânico causado pela incapacidade que a falta do seu sino lhe proporcionava.
- "Meu nome é Havir. Eu vim até aqui para aprender, assim com você. Estou aqui para levar você pelo caminho mais curto até a sua casa."
Jano não entendia, mas não havia mais o que fazer. Seus olhos desesperados se movimentavam sem parar em suas órbitas esqueléticas. Mãos frias, estômago horrível.
- "Me ajude por favor" - Suplicou Jano.
- "Sim, farei o que puder. Mas saiba que no final, você terá que pagar isso com a mesma moeda."
Jano fez que sim com a cabeça sem ao menos pensar no que significava "pagar com a mesma moeda". O desespero lhe obrigava a depender inteiramente da ajuda de qualquer pessoa. A vontade de se suicidar nesse momento era gigantesca. Sua mente não parava de pensar na estória que lera onde um dos personagens se deitava no chão do aeroporto e dizia que ali era muito confortável e que era um absurdo as pessoas não saberem disso. Esse personagem com a demonstração apetitosa de conforto acabara de ser levado pela morte. Seria a morte um conforto além do normal? Essa era a idéia que o fazia querer encontrar-se com essa pálida menina de preto.
E Havir, olhando nos olhos de Jano disse:
- "Precisamos nos apressar. Mesmo o caminho mais curto é ainda muito longo."
Virou-se e começou a caminhar para dentro da floresta.

1/06/2008

A estória de minha própria loucura parte 4 - não sei até quando escreverei pra ninguém ler

Os olhos de Jano se abriram instantâneamente. Seu coração pulou e um frio em seu estômago foram sentidos simultaneamente quando ele ouviu a voz. Mas, de onde vinha essa voz se ele estava sozinho naquele lugar a uma distância considerável de qualquer civilização? Jano pensou em não ter ouvido e sim sentido aquela voz. De olhos abertos ele enchergava as árvores a sua frente e de uma forma muito estranha, parecia muito mais fácil conseguir chegar até elas.
Os passos se encurtaram e ele chegava mais perto da floresta e mais longe da casa. Sua mão apertava forte o sino para que de maneira nenhuma ele escorregasse de seus dedos. Quando não mais podia andar Jano se jgou ao chão exausto por causa de sua luta contra suas próprias limitações. Chorava, um choro que poderia encher de pena qualquer um que passasse e o visse ali no chão com suas roupas claras e largas, sua barba por fazer e seu cabelo curto. Os olhos cheios de lágrimas distorciam a visão do mundo que o cercava, desfocavam a visão do único objeto que lhe trazia segurança, o sino em sua mão. Jano chorava porque se sentia naquele momento um perdedor, um fraco que não conseguia nem lidar com seus próprios problemas.
Ele pensava que em países pobres pessoas morriam e fome e viam seus filhos definharem pedindo comida sem nada a fazer e mesmo assim essas pessoas encaravam seu destino de frente, duras, mesmo que fracas e exaustas ao chão. E ele, um homem sadio que se recolheu a sua fraqueza, se isolando de todos por não consmeguir lidar com outras pessoas, por não conseguir lidar nem mesmo com ele. Um fraco que não deveria ter nascido pois não conseguia nem mesmo carregar a cruz que lhe fora destinada.
O choro compulsivo foi passando e já eram 3 horas da tarde quando ele acordou de um leve cochilo na mesma posição em que estava quando caiu. Ele se lembrou de ter sentido a voz lhe mandar abrir os olhos e lentamente foi erguendo suas pálpebras e contemplou a visão ao seu redor. Jano estava já dentro da floresta, a cerca de 10 metros de distância da entrada. Ele havia conseguido ir muito mais longe do que pensara. A sensação de ser um fraco passou e ele se sentiu a pessoa mais forte do mundo. Se levantou. Um riso de pura alegria adornava seu rosto enquanto olhava para as árvores ao seu redor. Olhou para suas mãos sujas de terra e sentiu algo estranho. Não a costumeira vontade de lavar as mãos que sentiria. O sino estava jogado ao chão e quando ele resolveu abaixar para pega-lo algo inesperado aconteceu:
- "Olá Jano."
Uma voz, ele havia sentido novamente. Olhou rapidamente pra trás e enchergou um homem trajando uma roupa esfarrapada de agricultor. Pele queimada de sol e mãos grossas. Mas como ele saberia seu nome? Talvez pudesse ter conhecido seu Tio.
- "Eu tenho o remédio que você tá querendo." - Falou o agricultor em um linguajar carregado.
- "Como sabe que busco um remédio?"
Jano estava absorto, mas queria entender quem era aquele e como ele poderia saber coisas sobre sua vida. Precisava saber se ele conhecia seu Tio, irmão de sua mãe.
- "É que todo mundo quer um remédio pra alguma coisa, num é mesmo?"
- "E como você pode ter algo assim?"
O agricultor riu baixando a fronte para esconder o riso.
- "Tem muito mais coisa nesse mundo do que o que você acha que sabe garoto, eu sei de todas elas e quero te dar o que você precisa."
Dizendo isso, o agrucultor apontou para uma árvore e nela haviam frutos maduros. Jano não se lembrava dessa árvore, nem de ter algum dia comido frutos assim. Caminhou lentamente em direção a árvore e, nesse instante, um homem com aparência similar a do agricultor apareceu e se colocou entre a árvore e ele.
- "Toda árvore tem uma poesia, você já leu a poesia dessa?" - disse o segundo agricultor.
Jano não entendeu nada, nunca havia ouvido falar que as árvores tinham poesias. Não fazia sentido. Olhou pra trás e começou a voltar para pegar seu sino. Voltaria pra casa imediatamente. Mas o primeiro agricultor correu até o objeto jogado ao chão e o apanhou. Jano começou a sentir a mesma sensação de pânico que conhecera antes. Sua passagem de volta não estava mais a sua disposição, precisaria depender da vontade do homem que agora o segurava.
Ele olhou para o segundo homem com aspecto de agricultor e quando voltou o olhar para o primeiro, este já corria longe pra dentro da floresta, carregando o sino.

1/05/2008

"Jano, abra os olhos..."



A estória de minha própria loucura parte 3 - não sei até quando escreverei pra ninguém ler

Dizem que todos tem pelomenos um inimigo no mundo. Até o próprio deus tem o seu. Não seria Jano uma exceção a essa regra tão abrangente.
- "Imagino que sua mente funcione como uma grande orgia de pensamentos desconexos." - disse Lua, a mulher que esperava Jano no estacionomento - "Uma inundação de vontades e desejos que se somam as suas impossibilidades... você é um complexo ser derivado da antítese..."
Lua era uma antiga conhecida de Jano e, embora ela não o considerasse assim, ele a colocava no patamar de pior inimiga. Não porque houvesse ódio ou algum sentimento de vingança por parte dos dois, mas porque Lua era uma estudante de psicologia afoita que teimava em tentar diagnosticar Jano. Esse era o pior motivo de todos, embora a história dos dois não se resumisse somente a isso.
Jano encolheu os ombros e olhou para os pés de Lua. Tentou caminhar em direção a porta de s,eu carro mas já era tarde demais, Lua já havia se colocado no caminho e Jano agora se sentia cada vez mais desesperado para encontrar seu abrigo.
- "Saia já da minha frente garota!" - gritou Jano, um grito que não continha raiva e sim desespero.
Lua sorriu, quais seriam os motivos reais dela o estar tornturando?
- "Sua somatização está cada vez pior. O que será que deve ter acontecido hoke no escritório? Alguém provavelmente o criticou duramente, motivo pelo qual você quer se ver livre do universo por alguns instantes, dentro do seu carro, com música alta para que ninguém tenha que ouvir seus gemidos de agonia desnecessária." - argumentou Lua enquanto retirava de seus bolsos um pequeno bloco de notas e uma caneta.
Jano consumia-se. Sentia fortes dores estomacais e intestinais, seus olhos ardiam, seus ouvidos zumbiam alto e até os seus ossos pareciam querer fazer parte de toda a sinfonia de sintomas. Ele contemplava com olhar de fome a maçaneta da porta de seu carro e em um ato instintivo dirigiu-se para a porta, empurrando lua para o lado.
Lua gritou de susto, olhou-o boquiaberta e disse:
- "O nível de sua instabilidade é tão alto que você recorre a atitudes primárias..."
Mas era tarde, Jano já havia se trancado em seu carro e o "Ok Computer" do Radiohead já estava tocando alto.
Dentro do carro, Jano se contorcia de medo, temia não conseguir sair nunca mais dali. Desejava com todas as forças a morte pois ela significava a fuga, o alívio de toda aquela confusão que ele não conseguia entender.
E sem perceber, quando retornou de seus angustiantes pensamentos, Jano viu que já havia avança,do mais que antes para dentro da floresta. Sentiu uma mistura de medo com orgulho. Ele poderia ser forte sim, poderia ir dentro da floresta, mas na verdade estava ainda a uns 100 metros da real entrada das árvores.
Olhou pra trás, viu sua casa a uma pequena distância. Segurou firme o sino azul em sua mão e sintiu que tudo poderia ser revertido caso ele quisesse. Olhou pra frente e caminhou mais firme. As árvores se aproximavam e Jano sentia uma espécie de angústia. Que mundo poderia existir dentro daquelas árvores que lhe pudesse fazer mal?
E ele parou. Sua respiração estava ofegante, parecendo que ele havia corrido por muitos quilômetros, mas na verdade, havia apenas caminhado. Fechou os olhos, equilibrou sua vida em uma balança imaginária e viu que ela estava tão leve que não fazia diferença, o mundo, no outro prato da balança era infinitamente mais pesado. Imaginou a noite escura e a quantidade de estrelas e planetas do universo e viu seu tamanho e sua insignificância perante ao todo. Pensaou em deus e em tudo o que os homens resolveram criar para não se sentirem sozinhos e percebeu, pela primeira vez que ele estava completamente sozinho no universo, que ele era único e que ele tinha mais força assim do que tendo que pedir ajuda divina.
- "Jano, abra os olhos..."

12/27/2007

Propaganda publicitária feita por Jano...

.........."Há sempre algo a esquecer, Vodka sempre te ajuda com isso"

A casa de Jano, quando ele foi morar na floresta.


Jano veio morar nessa casa quando completou 32 anos. Ela pertencia a um de seus tios, irmão de sua mãe. Como a casa iria ser doada Jano resolveu ir morar nela.

Obs.: Se pretende entender, leia as duas partes da estória que estão logo abaixo.

A estória de minha própria loucura parte 2 - não sei até quando escreverei pra ninguém ler

Obs.: Se pretende mesmo ler, procure a primeira parte antes de ler esta.

A chuva porém, não vinha há alguns meses e ele sentia um pouco sua falta. A sua frente, grandes áqvores de longos anos de vida farfalhavam suas folhas ao vento e se fechavam mais e mais até se transformarem um uma cortina verde.
Jano temia mudanças, temia muito não conseguir voltar para a sua casa, mas mesmo assim ele estava para sair e ir um pouco mais além naquela floresta no alto da montanha. Desvendar um pouco mais da história de sua terra e de suas raízes. Desceu o último degrau da escada tocando o solo argiloso com seu par de tênis mais que surrado. Fechou as mãos com força e sentiu o terrível medo em seu estômago. Sim, ele havia concluído que o medo se manifestava nele em seu estômago e por isso tentava combatê-lo por meis esquisitos como beber água gelada ou mesmo mudar sua respiração para uma mais diafragmática, tendo então que inflar a barriga para inspirar, o que massagearia seu estômago fazendo com que ele se sentisse mais confortável.
Começou a andar sem olhar pra frente, olhando apenas o chão como se estivesse envergonhado de estar fazendo aquilo. Seus passos eram inseguros mas mesmo assim ele avançava em direção da floresta. Passou pelas árvores de amoras que estavam carregadas e apenas as acariciou com a mão esquerda, esperando que as árvores pudessem absorver todo o medo e mal estar que ele sentia.
Jano caminhava sem parar, sem contemplar nada ao seu redor, apenas voltado para o interior de suas memórias. Fazia isso naquele momento pois já havia, em tentativas anteriores, conseguido avançar até aquela parte da floresta.
Em sua mente ele se lembrou de sua dedicação por anos para poder lutar contra o seu medo, sua busca pelos conceitos espirituais que poderiam sanar sua alma. Aprendeu que todos nós temos na vida uma carga e que essa nunca é mais pesada do que o que conseguimos carregar. Ele sabia muito bem que o medo era seu aprendizado e deveria conseguir extrair dele a força para encarar os dias de frente. No entanto, Jano sempre tropeçava e caía de onde havia conseguido chegar em profundos possos de desespero sem sentido.
Enquanto caminhava ele se lembrou do dia em que havia acordado no horário de sempre para ir trabalhar e quando lá chegou, fora surpreendido por um dos seus superiores que lhe gritava:
- Jano, não entendo o que está acontecendo com você! Por acaso você é retardado? Como você pôde criar slogans tão idiotas para as campanhas de marketing que temos que entregar até a próxima semana? "Salven-se de vocês mesmos, bebam conhaque." "Há sempre algo a esquecer, Vodka sempre te ajuda com isso". Isso é um absurdo! Você transforma os consumidores em doentes que bebem por motivos que eles não querem admitir, que não precisam pensar.
- Chefe, eu estava apenas querendo dar um certo conforto as pessoas, transformando o produto em um amigo ou uma saída pro mundo em que vivem para um mundo melhor...
- Ninguém espera um mundo melhor no fundo de um copo Jano! Você é um incopetente, um doente! Recrie para hoje toda a campanha desses clientes ou você será colocado no olho da rua!
Jano não respondeu, epenas abaixou sua cabeça e contemplou o chão. O medo gritava forte em seu estômago. Suas mão tremiam. Ele queria estar sozinho, em um lugar longe de todos e principalmente, queria que a Elisa não tivesse presenciado aquela cena.
Elisa era uma mulher de 27 anos de cabelos pretos e pele branca. Naturalmente quieta e amistosa. Não havia muito contato entre ela e Jano, já que sempre trabalhavam em projetos diferentes ou em etapas diferentes de um mesmo projeto. No entanto, Jano a observava e a desejava. Ele gostava de pensar nela como uma espécie de oásis em meio a seu complicado universo. Gostava de imaginar como seria o toque de sua pele e o gosto de sua boca. Mas não havia tido ainda coragem o bastante para apostar em algo mais concreto com ela. Ainda mais agora, depois de sua humilhação em público. Mas não era esse o único motivo de ele não chegar perto dela. Ele constumava, além de seus outros mecanismos de pensamento, imaginar passo a passo o futuro. Imaginou que Elisa e ele seriam infinitamente felizes juntos mas que esse infinitamente iria acabar um dia e tudo se tornaria um compromisso disfarçado de felicidade onde na verdade houvesse apenas o comprometimento com o outro. Ela acabaria procurando amantes para poder sair da atmosfera densa que ele com certeza acabaria criando em torno dos dois e, ao fim de tudo, faria com que ela o odiasse.
Jano preferia não ter nada do que ter o ódio de Elisa por ele. Então ele preferia não mudar o curso de seu destino de permanecer sozinho.
Naquela tarde, quando Jano entregou em um grande envelope os resultados árduos do dia de trabalho, ele se dirigiu ao seu carro no estacionamento. Tudo o que ele almejava naquele momento era a segurança do interior do seu carro com vidros fumê e música alta, que disfarçasse sua alta respiração diafragmática, seus gemidos de dor e seu pânico momentâneo. Caminhava como sempre com os olhos voltados para o chão e não percebeu que alguém lhe esperava no estacionamento.

12/26/2007

A estória de minha própria loucura parte 1 - não sei até quando escreverei pra ninguém ler

Havia um mundo a ser conhecido dentro de sua própria mente. Uma realidade completamente livre de algemas impostas por irregularidades mentais, manias e pseudo-esquisofrenias. Levantou-se a caminhou até a porta do seu quarto. Lá estava pendurado o sino azul que usava toda vez que tinha que sair ao campo pra um lugar onde acha que poderia não conseguir encontrar o caminho de volta. Como sua casa era situada em um local completamente distante da cidade, em meio às montanhas, ele temia se ver perdido na floresta próxima de sua casa.
Bem, pelas suas contas, hoje era sábado. Era uma bela manhã e tudo estava perfeito pois ele havia preparado seu pão e seu chá gelado na noite anterior. Com o sino azul na mão esquerda, ele caminhou com suas sandálias baixas para a cozinha de sua modesta casa, seu refúgio de alguns mundos externos com os quais ele não conseguia nunca lidar. Abriu a geladeira velha e de lá retirou seu chá gelado (chá mate com pitadas de limão) e colocou-o em um copo de plástico amarelo que estava em cima da mesa. Abriu o guarda-pão e retitou uma fatia com uma faca de cabo queimado. Hoje era um dia perfeito pra colher as amoras e pra conhecer um pouco mais da floresta que se estendia diante de sua residência. Mastigou o pão devagar e tomava pequenos goles do chá enquanto contemplava meio que absorto a porta aberta que dava para o lado de fora da casa. O sino azul sobre a mesa aguardava seu ritual matinal terminar.
Levantou-se da mesa e escovou os dentes, colocou uma música e fechou-se no banheiro. Ajoelhou-se no chão e olhou pra suas próprias pernas numa tentativa absurda e esquisita de se encontrar. Sentia medo por estar sozinho mas ao mesmo tempo sentia-se aliviado por não ter que lidar mais com as críticas e com o mundo do lado de fora de sua propriedade. Tinha 36 anos, cabelos curtos e um corpo magro e alto. Chamava-se Jano. E não sabia quanto tempo ele ainda teria que conviver com essa dificuldade de conseguir entender, de conseguir sair de casa e ver outras pessoas. O mundo fora cruel com ele, mas numa proporção normal, a mesma aplicada a todas as outras pessoas que nele vivem. Mesmo assim, ele se sentia como se fosse especialmente machucado pelo mundo, testado até não conseguir mais e preso em seu mundo interno.
"O difícil mesmo era ter que explicar - pensava ele - ter fazer com que todos conseguissem entender como funcionava minha mente pra que elas conseguissem me aceitar e não me achar uma pessoa tão nociva."
Mas não adiantava, tudo era doloriado demais. Ele preferiu a solidão.
Saiu do banheiro de roupa trocada, cabelos alinhados e apanhou, na mesa da cosinha, o sino azul. Se encaminou até a porta e saiu por ela. Um vento lhe refrescou a alma e ele se sentiu confortável, sentimento raro pra uma pessoa em sua condição. Pensou naquele momento que todos os seres viventes do mundo poderiam sentir aquilo, e que apesar de tudo, esse era na verdade um dos maiores objetivos da vida de cada ser: o confortável, seguro...

Desceu dois degraus da escada que terminava em chão de terra, um chão com alta concentração de argila que costumava ficar muito escorregadio quando chovia.

12/13/2007

eu te esperei sob a névoa da manhã
quando esta ainda não havia deixado de ser noite
e você veio trazendo flores
que cobririam meu peito assim que eu deitasse

e um nefasto e belo mundo que eu não conhecia
um universo parelelo que só contemplava em espírito
começou como um ritual ao meu redor
consumindo e cobrando seu preço em moedas nuas

eu me deitei em um solo árido demais
que roubava a água do meu corpo
e com o rosto cadavérico eu lhe observei de pé
dominadora e austera, com as flores na mão

meus pés foram amarrados juntos
para que os passos deixassem de ser
para forçar minha carne a não partir
para que as solas não tocassem mais o chão

e minhas mãos tapavam minha boca
meus olhos reviravam
e meu corpo temia em não sentir
pois o anestésico fora forte demais

chamas dentro de chamas
uma espiral de secreções
humano repentino
eu acordei me sentindo

na alquimia do cinza
na solidão indiscriminada
milhares ao redor
apenas eu em mim

11/21/2007

ENDORAMA


Estou me dedicando muito a esse novo projeto, compondo sem parar. Aqui, alguns poemas musicados:

01 - Uma armadura até a metade do coração

Há lugares pra onde vamos caminhar
Horizontes que tentamos desvendar
Há verdades que não podemos entender
Há instintos que não se podem mais conter

Há amores que só sabemos desejar
Há dúvidas pra quem quer desfrutar
E só as estrelas vão nos entender
Quando ninguém consegue mais nos conceber

Ninguém vai me dizer como eu tenho que viver
Ninguém vai me dizer
Vai me dizer

Portas se abrem para não passar
Caminhos infinitos pra se aventurar
Destinos almejados jogados ao vento
Há portas entreabertas a se derrubar

E há dias em que ninguém sabe o que seremos
Noites regadas ao frio do que parecemos
Há máscaras demais em nossos corações
Armaduras que não protegem de ilusões

Ninguém vai entender o que eu tento dizer
Ninguém vai me dizer, Vai me dizer
Ninguém vai despertar, parar de sonhar
Ninguém vai me dizer porque não sobreviver

E mais ninguém
E só nós dois
Seremos, veremos.......o depois

02 - (Não) Me diz não

se vc quer sair eu vou parar de pensar
por tantos anos isso foi tudo o que eu imaginei
e acordar depois
e encarar depois
não há sentido, não
deixa eu dormir agora
deixar eu ficar de fora
desse mundo sem razão

Me pede logo pra parar
Me para logo pr'eu saber
Só não me diz não
Me diz não!!!

03 - Perfeito

o vento me leva
pra ver o mundo
pra olhar no espelho
e ver quem eu sou

o vento me leva
pra uma praia deserta
pra me descobrir
pra não te ferir

perdoe-me por errar
eu te prometo
serei perfeito

o sol lá fora
me leva pra ver
como nós fomos
todos erramos

perdoe-me por errar
eu te prometo
serei perfeito

04 - Para Letícia

contra o vento me disseram que é difícil caminhar
que é difícil olhar pra frente e nisso tudo enchergar
que na vida tudo é feito e planejado pra nos vencer
que as estradas estão fechadas e não ha futuro a viver

tudo que eu quero é dizer
tudo o que eu quero está escrito em vc
e não há muros pra me parar
e não há vendas pra me cegar

"contra o vento" - me disseram - "vc terá que lutar"
"nada é feito de verdades, belos doces à defrutar"
construimos nossas vidas nas verdades que nos contaram
nos trancamos entre as grades de um mundo que nos empurraram

e não há futuro que vá me prender
nem o presente nem o passado
e não há destino senão o que eu escolher
meus ideais estão traçados

05 - Há dois anos atrás

se um dia eu entendi eu esqueci há dois anos atrás
como a cor que eu vi em seus olhos há dois anos atrás
todas as respostas de todas as perguntas feitas tarde demais
tudo o que eu perdi, eu perdi há dois anos atrás

todos os meus sonhos já morreram há dois anos atrás
todos os amores me deixaram há dois anos atrás
e eu que me perdi por te esperar um pouco demais
tudo o que eu fui eu deixei de ser há dois anos atrás

as páginas em branco que eu deixei não me importam mais
os risos, as cores que se foram a tempo demais
eu que não aprendi a deixar o passado pra trás
vivo meu amor nas sombras de dois anos atrás

há dois anos atrás

e estou livre voando no céu
olhando bem as luzem lá em baixo
procurando o que eu deixei pra trás
toda uma vida a dois anos atrás

e o vento forte me leva pra longe
me faz ver bem todo o horizonte
me mostra o dia depois da noite
me acorda de vez desse sono

de dois anos atrás

06 - A velocidade do som

a distância disse tudo
tudo o que eu não quis ouvir
verdades e mentiras pra me distrair
onde vc foi
o que nos tornamos
por quanto tempo nós vamos esperar?

dentro daquela manhã
vc se foi e me disse
que não ia mais voltar
que ia se internar
pra tratar a loucura do mundo que havia em nós

dentro daquela manhã
palavras que eu não sei
cortaram meu coração e
como se não bastasse não
fiquei só e sem minha razão

tudo que vai
volta na velocidade do som

mas ninguém mais voltou pra mim

a distancia disse tudo
me contou que você foi morar longe
onde minhas cartas não vão chegar
algum lugar bem longe
onde o frio não vai importar

memórias e sonhos
janelas onde posso te olhar
mas não vão te trazer
já é tarde pra crer
que sua luz ainda teima em brilhar

tudo que vai
volta na velocidade do som

mas vc nunca mais vai voltar....

10/06/2007

Uma menina quando chega a puberdade se ente linda e tenta se vestir para uma festa. Ela vai até seu armário e pega o que acha, de acordo com sua concepção, o seu melhor vestido. Ele é porém, um vestido velho. Se encaixa perfeitamente as dobras, às curvas recém modeladas pelos hormônios. Confortável, o vestido parece fazer parte seu organismo. Uma simbiose onde ela dá movimento ao vestido e ele lhe oferece em troca a sua própria beleza.
Ela se olha no espelho e vê o vestido desbotado. O vestido que vestira sempre. Desde de sua infância prolongada.
Ela tinha agora pouco menos de trinta e se sentia agora, bem tardiamente, uma adolescente. Assistia a filmes pornôs e ria baixinho. Tentava conversar com as amiguinhas (essas sim, de 15 anos) sobre beijos roubados e menarcas. Essas porém já falam de sexo, de verdade, em variedade.

A menina se olha no espelho e percebe pela primeira vez que o vestido de todos aqueles anos não serve mais para uma festão tão pomposa pois já está gasto e provavelmente a pequena cidade em que morava já tinha se cançado de vê-la vestida com ele.

A menina pensa em deus, e se pergunta, porque eu tenho o fardo da escolha? Eu tenho uma vida e agora não sei o que fazer com ela. Não posso simplesmente dizer: "não quero ter que fazer isso" e ´parar com essa novela das 8? Deus a deu uma vida e ela tinha que criar seus caminhos, tinha que comprar novos vestidos e constituir família. Ela não podeia viver assim pra sempre. Então o inferno ficou mais quente. A menina percebeu que teria que tomar uma atitude, mas a dúvida de se iria com o vestido mais novo e que lhe pinicava o corpo e a o vestido velho e confortável estava lhe consumindo.

A festa começou. Todos estavam lindos em suas roupas. Algumas velhas, algumas alugadas, algumas novíssimas. E eis que a menina desce as escadas vagarosamente. E todos param na festa para olhar quem era a beldade que descia. Aquela maravilha que não era mais adolescente, já era uma mulher de verdade, mas que ainda não conseguira entender isso. Ela descia devagar, degrau por degrau e os queixos de cada um na festa se abriam para demostrar o quenato estavam lisongeados com a presença da menina.

E eis que surge correndo um dos criados da casa e lhe fala, em tom desesperado ao ouvido:

- Menina, que porra é essa?
- Menina é o caralho, Dona Georgina, sou uma mulher!
- Desculpe, senhora... mas é que a senhora está nua!
- Nua não, tenho os sapatos altos e minha pulseira e meu colar.
- Mas não pode ficar assim na festa...
- Como?
- Não vê que isso é um absurdo?
- Criado, minha vida é um absurdo! O fato desse corpo está se movendo é um absurdo. O fato de haver o que chamam de força divina nesse monte de carne é o que mais me deixa pasma. Eu tenho essa vida, não foi minha escolha ter que vivê-la. Sempre me escondi no passado. Tive que finalmente tomar uma decisão: ou eu continuava no passado, ou eu rumava para o novo. Eu não podeia ficar estática diante de uma vida a ser vivida.
- Mas o que isso tem a ver com roupas? - perguntou então um já mais que enlouquecido criado.
- Tem a ver com as roupas, com as feições, com tudo o que eu externo! Eu não quero o passado, nunca mais, e o futuro óbvio que me oferecem me desagrada. Então, o que tenho a dizer é que de hoje em diante eu contruo meu futuro como eu quiser.

O criado continuava sem entender porra nenhuma, até porque ele não estava na cabeça da mulher. Ela terminou de descer as escadas nua. Quer dizer, nua não, com sapatos de salto alto, uma pulseira e um colar e uma cabeleira linda lhe adornando as costas. Foi falar com os convidados. Não se importou com aqueles que comentavam que ela havia se tornado uma vadia.
No dia seguinte, acordou cedo, ainda de ressaca. Colocou uma roupa de malhar, colada. Olhou pela janela do segundo andar da sua casa. Viu a distância da sacada até o chão. Seria uma bela queda. Então ela se pendurou do lado de fora, colocou o pé em uma quina da parede, segurou em uma outra aresta e foi assim, descendo a parede até lá em baixo. Quando lá chegou, começou um cooper matinal, enquanto o sol terminava de nascer. Em seu mp4, uma canção que repetia sem parar "nothing can stop me now, cause i don´t care anymore".

E todos viveram felizes para sempre.

Verdade


Uma pessoa
De verdade
Sente pouco
Vê mais
A verdade
Em sua fronte
Em sua verdade
Em sua malícia
Em seu ipod
A verdade
No espelho
Na balbúrdia
Na sangria desesperada
Mais ar
Mais líquido
Pra respirar
Uma pessoa
Um ser humano
Um homem de verdade
Vê o mundo
O mundo não o vê
Estático
Paralítico
Com o seu "the road"
Ele deveria se divertir mais
Num mundo
Conceitual
Com bucetas e caralhos
Com verdades de mentira
Mentira
Mentira
Cavalo
Eu tira isso de mim
Mãe me dá
Limpa
Tubo
Metafísico
Tubo
Canudo
Cano
Porra
Uretra
Porra
Uma pessoa
de verdade
Vê a verdade em si
E vê a verdade que emana refletida nos outros
Eu sou de mentira
Eu sou de mentira
Eu sou de mentira
!
!!
!!!
!!!!

9/27/2007

Cap 2

Canavieiras, lá na Bahia. Ficava bem distante da sua casa e além do que pudesse parecer, ela havia ido sim àquela cidade para sofrer e não para desfrutar de suas belezas naturais construídas pelos portuguêses que haviam se instalado ali por volta do séc. XVIII. Havia em um último ato de auto-piedade ido até lá de avião e não de ônibus, mas quando chegou à cidade, sem nada saber, nem seu nível de criminalidade, nem o tamanho dos bairros ou quanto tempo teria que andar para chegar da casa onde ficaria hospedada até uma padaria para poder tomar o seu café duas vezes por dia, pelo menos.
A idéia de ter que se locomover através da cidade por linhas de ônibus a deixava totalmente insegura, não conhecia seus destinos e na verdade, não sabia o seu próprio destino. Pensando dessa forma seria então bem fácil se locomover dentro de Canavieiras. Era só pegar um ônibus qualquer e descer em um ponto qualquer. Ela estaria indo pra algum lugar que na verdade, nem imaginava onde poderia ser. A idéia de total desconhecimento à tomou pelo braço e a fez cambalear e procurar rapidamente por um lugar para sentar. Hvia em seu bolso, o valor para voltar de avião para a sua cidade no próximo vôo, que demoraria cerca de 4h. Mas essas quatro horas de espera já a deixavam anciosa e ela não queria ter que imaginar que ficaria essas quatro horas em um aeroporto, longe, muito longe de seu castelo imbatível com seus pais como guardas e cavalheiros que nunca a deixariam ser atingida por nada nem ninguém.
Resolveu fazer o seguinte, sentou-se e parou para imaginar o que poderia estar acontecendo, que seu corpo estava funcionado e que sua mente estava funcionando, ela estava viva. Suas pernas e braços estavam perfeitos, ela também podia falar, ou seja, a locomoção e a comunicação estavam ainda de pé. Suas dores de êstômago podeiam ser curadas por doses costumeiras de analgésicos e anti-espasmódicos. Tudo o que ela precisava estava ali com ela. Fixou a visão em um parafuso da cadeira onde estava sentada e começou a tentar a esquecer o mundo lá fora. Só importavam ela e o parafuso. Ela foi percebendo que todos os fantasmas que estavam encomodando não podeiam mais falar pois ela havia estabelecido um diálogo, ela só falaria com o parafuso. Ohou seu brilho, sua fenda, ima ginou o contato que deveria estar tendo com o material logo abaixo dele, o qual estava parafusado. Imaginou sua temperatura, sua cor, sua dureza. Viu que sua dor estava passando. Ela começou a conhecer bem àquele parafuso e se tornou completamente amiga dele. Eles já eram tão íntimos que ela pensou: "ei parafuso, se eu passar mal aqui, você vai me ajudar não vai?" E como resposta do parafuso, ela imaginou: "claro, afinald e contas, amigos são pra essas coisas."

9/20/2007







"a cada minuto que passa há uma chance de virar a mesa."
-vanilla sky

"o que eu quero, eu vou conseguir"
-raul seixas

"nothing can stop me now, cause i don´t care anymore"
-trent reznor

9/19/2007



DIÁRIO

Segunda vez, espero que não se torne uma constante. Hoje estou pensando em me "desligar" mais do que o normal. Há muito tempo não penso com tanta frequencia. Fico me perguntando se será assim o meu fim, algo escolhido por mim mesmo.

Na verdade, não há como explicar os motivos pois nem eu sei, nem eu me entendo. Talvez o problema seja apenas o existir.

Quem nunca imaginou sua própria morte? Quem nunca pensou nela como alívio? Pois bem, não sou mais um adolescente cheio de hormônios, há peso em minhas palavras. Eu queria poder controlar o que eu tenho sentido, essa luz e sombra. Tão mais complexa é a verdade que se esconde.

Mas aguardo pacientemente esse período passar. Pedindo desculpas àquelas que me rodeiam e que não me entendem, eu sou assim, um ponto de interrogação com duas pernas, dois braços e um coração.

Que assim seja, em nome da grande mãe.

9/18/2007







Será que eu sempre me importo demais com o sentido das coisas, não deixando estes (os sentidos) correrem livremente e mostrarem o seu maravilhoso e simétrico resultado no final?
Será que eu me ancorei em sentidos que de nada vão funcionar e por isso estou em um cíclico moddo de pensar/agir que nunca sai do lugar?
Será que sou fraco o bastante para não tomar as respectivas atitudes que poderão virar a mesa da minha vida a qualquer momento?
Será que algum dia desses, de sol ou de chuva, meus sonhos serão realizados?
Será que todos morrem tendo ao menos um sonho que possa ter sido vivido, nem que por segundos?
Será que minha cabeça está mais nas nuvens do que meus pés no chão?
Será que o universo conspira contra ou a favor de tudo o que eu quero?
Será que eu sei o que eu quero?
Acordar e não saber qual será o próximo passo é na verdade uma das coisas mais dolorosas que podem acontecer a um ser humano. Muitos aposentados morrem por isso, porque durante a vida toda sabia que ao acordar, aquele era o passo a ser dado. Se acostumaram em nunca ter que pensar e procurar muito pelo sentido da vida até que as únicas coisas que lhes restam são as perguntas, os questionamentos que eu mefaço agora. Eles preferem morrer, seus corpos se apagam como uma gota de chuva que cai no oceano e se mistura a sua infinidade. Tudo vai para um mesmo lugar.
Quero dizer que não sei qual será meu próximo passo, e que ainda não estou pronto para dar um mergulho, então, vivo em dois mundos.

Viva, foda-se o que é que tenha que ser vivido.

9/12/2007

Cap 1

Ela despertou. Não estava em sua cama como de costume. Os primeiros segundos logo antes de abrir os olhos lhe pregaram uma peça fazendo com que ela imaginasse estar segura, dentro de seu apartamento onde morava sozinha no interior do Rio de Janeiro. Não, ela estava agora muito longe de casa, e mesmo que precisasse de seu paz, de seu canto, ela precisaria viajar pelomenos três dias de ônibus para poder chegar à sua casa.
O fato de acordar em um lugar praticamente desconhecido a fez se encher de um repentino medo. Nada daquele quarto na verdade a amedrontava, somente a idéia de estar distante e incomunicável de todos os que conhecia e de não poder se sentir a vontade pois estava como hóspede de um casal de velhos.
Pagara uma diária extremamente baixa para poder passar ali a noite e guardar sua bagagem durante o dia, mas ela não tinha nenhum tipo de privacidade, ficando a mercê dos costumes e manias daquelas duas pessoas que poderiam ser seus avós.
Ela se levantou taquicárdica e lembrou-se do que estava fazendo ali: estava tentado dominar o medo que sentia dentro de si. Havia se entipido de remédios faziam os sintomas desaparecer mas que não tratavam a causa. Havia pariticipado de aulas de meditação e todo um contexto de reeducação espiritual e tudo isso lhe tratava sim a causa do medo, mas eram na verdade métodos que agiam de forma homeopática e em fases agudas da doença ela se sentia pior que nunca. Sabia no entanto que a somatização de tantos problemas era algo desnecessário. Tinha 18 anos. Seu corpo sempre havia funcionado de forma perfeita. Ela podeia proveitar a juventude e correr o mundo pois seus pais possuiam uma boa estabilidade financeira. Mas tudo o que ela queria era ficar ali, enterrada em sua própria cama, temendo o próximo passo, deixando as horas passarem.
Decidiu repentinamente, em meio a uma fase aguda da doença (chamada medo) em forçar-se contra todo o que poderia lhe causar mal. Jogar-se de frente sobre as pontiagudas e ameaçadoras potencialidades do mal que a acometia.
Numa manhã, mais fria do que essa que ela estava agora, ela resolveu juntar poucas roupas em uma mochila, tomou um rápodo café, avisou aos pais que viajaria e eles, sem entender, ficaram preocupados. Porém, antes de fazer qualquer pergunta sobre essa tal viagem, ela já havia saído pela porta da frente. Ligaram rapidamente para o seu ceular:
- Alô...
- Garota, não entendemos nada, onde você está indo?
- Pai, estou indo lutar contra o meu medo, tenho que vender essa força que me comanda ou ficarei escrava dela pelo resto da vida.
- Mas filha, de repente assim.
- Pai, estou levando uma contidade de dinheiro que dará para aviagem que vou fazer, não se preocupem, eu ficarei bem.
- Mas, Júlia...
Ela havia desligado o celular e logo em seguida jogou-o em uma lixeira próxima. Havia levado sim uma quantidade de dinheiro significante, mas não para uma viagem como aquela. Ela sabia que provavelmente teria que se virar, mas era isso mesmo que ela queria provar, que ela era perfeita, cheia de capacidades e de beleza e que poderia amar o mundo assim como todas as outras pessoas o fazem, sem precisar programar cada passo a ser dado com cautela. Ela estava livre e morria de medo, mas mesmo assim ela continuava.
Na casa dos velhos, já um pouco distante de seu lar, não submetida a nenhum conforto, ela havia passado a primeira noite da sua vida em que não estava completamente segura de tudo o que a rodeava, de tudo o que iria acontecer. Pensou em voltar atrás inúmeras vezes, mas sabia que se fizesse isso, perderia completamente o respeito por ela mesma. Levantou-se morrendo de cólicas e dores no estômago (sinais de como o medo poderia se manifestar nela) e foi até a janela olhar para um lugar diferente, olhar para a sua nova casa, o mundo.

9/06/2007

Mokasjnasjd

Pela primeira vez eu uso um blog como um diário. Deve ser, pelomenos interessante para as que poderão ter acesso à isso. Obviamente, terei o cuidado de revelar apenas o que todos podem saber. Seria isso interessante? Não sei. Talvez eu me sentisse empolgado em ler o diário de uma pessoa, talvez alguém de quem eu gostasse ou de um total desconhecido. Sou muito fascinado por saber como diferentes pessoas encaram a vida. Ao que me paraece, algumas vivem dia após dia sem se importar muito com tudo o que lhes acontece. Essas, geralmente são as pessoas que não tem muitas opções e já se acostumaram em aceitar calado. Não sonham, não se visualisam no futuro, apenas vivem, tarefa após tarefa, dorme, acorda, come, trabalha... Existem também as pessoas que sempre estão em busca de diversão sem se importar também muito com o futuro. Elas se utilizam geralmente das sensações boas causadas por diferentes formas de "curtir a vida". Mas, geralmente a vida não pode ser somente curtida e o período dessas pessoas de viverem como mais gostam acaba. Geralmente, essas se tornam como no primeiro caso. Existem as pessoas que acham que viver é sofrer. Essas procuram religiões com cógigos e leis rígidas para seguir ou simplesmente se doam de corpo, de carne mesmo, ao trabalho pesado e braçal. Acham que curtir a vida é pecaminoso e vergonhoso, que conseguir coisas boas não é permitido e devem permanecer na dor pra sempre. Existem as pessoas que não conseguem ver nada além de seus objetivos. Elas respiram, dormem, comem, fazem sexo, tomam banho, sempre se projetando de acordo com seus objetivos. Elas esquecem a suavidade de viver feliz, não percebem pequenos detalhes que ocorrem nos dias em que vivem e acabm sendo, extiormente, mais frias. Eu sou um pouco deste tipo, um pouco "cego". Existem também as pessoas que sonham com o futuro, que sonham em ser de uma determinada forma que não são, de conseguir contemplar a vida de uma maneira muito superior, e sonham que isso será conseguido logo adiante, dali à poucos anos. Não vivem o presente, somente o futuro e por isso, não constroem nunca a base para se viver literalmente o dia que projetam. O foturo nunca se torna presente. Sim, eu sou assim também.

É impressionante dizer que só a algum tempo é que percebi que a vida não é necessariamente justa. Muitas coisas acontecem por que simplesmente devem ocorrer. Isso me fez cair de minha realidade mística e conhecer o chão, duro, áspero, mas verdadeiro. Eu sempre achei que se eu conseguisse merecer eu obviamente teria tudo àquilo pelo que lutei. Estudei canto, composição, pesquisei música a fundo, li os poetas mais geniais para me sentir inspirado e absorver estilo, método e noção do que seria bom. Fiz tudo isso e além disso, procurei ser sempre uma pessoa boa. Interessantemente, minha vida é muito boa, mas não tem exatamente tempero que eu esparava que tivesse. Talvez a busca por tudo isso seja o verdadeiro sentido da minha vida. Uma busca sem nunca encontrar... Eu vivo essa paixão, ela é muito forte e eu não consego, por mais que eu tente, me livrar dela. Há épocas em que eu consigo controlá-la melhor, mas, nesses períodos sou também acometido de tristeza.

O mundo não é justo, pelomenos eu não sinto justiça. Mas é assim que deve ser. Eu me sinto cada dia mais forte e mais certo, e não paro.

A verdade sobre a falta de justiça me veio ao ver uma foto, tirada por um fotógrafo que ganhou prêmios com ela e se tornou famoso, mas que se suicidou meses depois de tirá-la. Na foto, uma menina, tão desnutrida e fraca que não consegue se levantar, agaixada com a cabeça entre os joelhos e ao fundo, um abutre, esperando o momento certo de sua morte para poder lhe devorar a pouca carne que havia em seu esqueleto. Aquela menina e eu temos os mesmos direitos, as mesmas capacidades, nascemos do mesmo jeito, no mesmo mundo. Esse mesmo mundo onde existem pessoas que estão cercadas pela beleza que apenas vivem, dia após dia suas vidas, o mesmo mundo de pessoas que se agarram a dor, de pessoas que são frias e de pessoas que só sabem sonhar.

Eu continuo ainda hoje a tentar, a batalhar com a minha arte e tentar, conseguir transforma-la em algo grande, maior que eu. Continuo porque é minha razão de vida não é só uma escolha ou um desejo passageiro. Por que se eu pudesse, eu jogaria tudo isso fora e tentaria viver sem querer pensar muito, dosando um pouco de cada tipo de pessoa.

Já pensei em tudo, em ir embora daqui pra outra cidade maior, em ir para outro país, em parar de viver, em viver sozinho e isolado. Nada disso funcionaria e eu acho que é porque a minha vida deve precisar ser uma grande tentativa.

Eu resolvi tentar me aproximar um pouco das outras pessoas, tentar ser normal, um pouco mais animal sem racionalidade. Instinto! Vamos ver até onde eu consigo viver assim.

9/01/2007

Sim, essa é a verdade que esperava
Escorrendo pela fronte de quem não vê
a verdadeira síntese das engrenagens

Há carne e vísceras que pendem
De cabides fantasmagóricos
Quem é a âncora da minha alma?

Nós, que por pouco não cortamos os pulsos
Engrenamos dia a dia em uma espiral
De erros e dores, luxúria e rancor!
Corroendo as perspectivas e chamando-nos de filhos

Expulsa essa razão de meu crânio
Vai embora, entendimento!!!
Não constrói em minha cabeça mais um túmulo
Para que eu enterre meus sonhos impossíveis!!

Ah, quão ambígua pode ser a existência
Viver amando a morte e morrer, sem nada saber sobre a vida
Cuspir naquele que deveria amar
Amar aquele que deveria repudiar

E com os olhos marejados de um líquido que
Não é lágrima e não é suor, escrevo essas, como últimas
As palavras que pronuciarei.

Ah sonata tão breve
Ah corpo tão triste

Ah, alma! De que elemento você é feita?
De onde nasceu, porque nunca morreu?

Destina meu sofrimento a encarar a miséria de viver.


(poema dedicado àqueles que lutam sem saber porque, e aqueles que sabem o porque, mas não lutam, aguardando a morte)

8/17/2007

As florestas lançam sua morte
Em minha sorte, a duraze de tentar
Percorrer os caminhos que a gravidade
Impuseram a meu destino

E as lanças que as árvores fazem
Na loucura jazem, trazendo a cor
Tingindo a dor que movimenta
O ar que eu corto ao andar

Em todos existe a herança da morte
A tristeza do e o cheiro do amanhã
E o enigmático poder do sangue

E em todos existe a fúria
Como o mar em tempestade
Como na impaciência da loucura

8/16/2007

Minha Canção - Novela parte 2

"Ele contemplava o céu após ter feito aquilo que suas veias o mandavam. Havia sangue dentro e fora de sua pele, do seu corpo. Estava completamente vestido de preto e tentava ostentar uma imagem de alguém muito superior ao que realmente se escondia sob uma casca indefinida. Pessoas ouviram os gritos que viravam a esquina e correram em um misto de prazer, curiosidade e medo. E ele se mantinha parado, olhando o céu que já estava cinza, tentando impedir que alguma lágrima escorresse dos olhos.
- Meu deus! - finalmente os olhos impacientes da multidão conseguiram encontrar a origem dos gritos. - O que aconteceu aqui?
As perguntas, o desespero, a carne completamente deformada aos seus pés. Iohan havia esfaqueado dezenas de vezes o corpo do homosexual que não lhe deixava em paz. Andava armado pois fazia parte de uma seita satãnica que proporcionava essa atitude. As roupas pretas, um pentagrama invertido, a cabeça raspada mesmo com o ríspido frio invernal de seu país. Ele queria ser homem, muito mais do que aparentava. Agora, já não sabia o que era, monstro ou criança."
- Senhor Thiago, o que aconteceu? - perguntou em meio ao susto causado pela minha queda.
- Romeu, acabei de pisar em algo que me transpassou o pé!
Haviam muitas coisas que eu não conseguia entender naquele momento. O céu se abrindo, mostrando as estrelas que há muito não ficavam expostas, o sonho da noite anterior, onde eu estava na Europa, a visão de uma menina vestida de preto e branco sendo atropelada por mim e a história de Iohan que não me saía da cabeça desde que havia tomado a decisão de me matar. Preferi não contar à Romeu nada disso, pois sua mente cética não conseguiria conceber tais fatos. Fitei novamente o céu e verifiquei que ele continuava fechado como antes: uma expessa camada de gases que impedia que o sol causasse o câncer (o grande regulador da quantidade de vida na Terra).
Romeu me ajudou a ficar de pé, e me arrastou até um banco onde ue pude constatar que havia encontrado meu objeto Maia. Ele havia transpassado meu pé.
Finalmente quebrei o silêncio:
- Romeu, você conhece o livro "Andando em Carrosséis"?
- Sim senhor, minha mãe leu pra mim quando era criança, é uma livro infantil muito famoso.
- Você sabe porque seu autor não é divulgado?
- Não senhor.
- Seu nome era Iohan, nunca conheci seu sobrenome. Em uma noite, assassinou brutalmente um homossexual que lhe tentou beijar. Foi preso e condenado a prisão perpétua pelo crime bárbaro cometido. Dentro da prisão, contam que ele ficava muito tempo do seu dia sentado em um canto da cela escrevendo anotações que ele dizia que eram seu diário. Quando se enforcou, depois de ser estuprado, suas anotações foram lidas e convertidas nesse livro. Um livro infantil, criado por um monstro.
- Senhor, eu me sinto agora filho de um monstro, tendo em vista que muito de minha personalidade infantil foi forjada pelo livro.
- Não, Iohan deixou de ser um monstro assim que olhou o céu naquela noite e percebeu o que toda aquela dor poderia lhe mostrar. E a dor sempre quer mostrar algo Romeu, assim como essa dor do meu pé que eu agora procuro compreender. A dor mostrou para Iohan que o senhor forte que ele almejava, nunca oderia ser. Ele descobreu ser uma criança, sozinha, com medo e jogada no mundo. Ele criou o livro para si mesmo e com isso conseguiu suavizar a solidão de muitas pessoas.
- E então, por isso, o senhor acha que essa dor causada pela faca Maia significa algo?
- Talvez, quanto tempo espera viver nesse mundo Romeu? Até que tipo de morte?
- Não muito, mas não sei como morrerei.
- Eu sabia, até agora...

8/09/2007

Minha Canção - Novela parte 1

Cinza, o céu continuou acima de minha cabeça. Eu continuei a andar tentando encontrar o objeto que caira do meu bolso da frente. Os olhos fitavam o chão em um misto de angústia e anciedade pois poderiam encontrá-lo antes de mim e isso significaria que eu não o veria mais. Nesse momento, Romeu, em um ato de completa angústia, me encontrou.
- Senhor Thiago, não faça isso...
- Romeu - interrompi - a cada homem deve ser dado pelomenos a chance de escolher como ele vai morrer.
- Mas, não agora Senhor!
- Procurei, mas não encontrei em nenhum lugar da minha mente motivos que fossem bons o bastante para eu não vir até aqui e completar meu plano. O problema é que eu o perdi, não sei onde caiu...
Romeu suavizou o semblante. A peça perdida realmente era de valor alto na próxima atitude que eu pretendia tomar. Ela havia sido achada em um túmulo de uma das civilizações mais antigas da américa do sul, a Maia. A análise desse objeto e a conecção do seu significado, assim como o significado do próprio nome dessa civilização me levou ao atual patamar. Não Há porque continuar a ser uma pessoa viva, encarnada (seja lá como os espíritas e budistas costumam alegar) pois somos apenas objetos.
Romeu tentou se antecipar em nossa caminhada que nos conduzia de volta ao meu local de partida. Ele olhava para os lados, como se fosse um fugitivo enquanto eu andava devagar olhando para o chão procurando o pequeno objeto.
Nesse momento, eu me lembrei de uma das minhas mentalizações criativas que por muitos anos povoou meus sonhos. Eu sonhava com nanocriaturas criadas por mim que poderiam se vingar de todos os meus inimigos invadindo correntes sanguíneas e tirando-lhes a vida. Naturalmente seria uma morte completamente atípica e impossível de caracterizada por qualquer tipo de legista. Ao mesmo tempo, eu pensava em como essas nanocriaturas poderiam servir para destruir grandes doênças da humanidade, como o câncer, tendo a capacidade de chegar e reconhecer as células malvadas distruindo-as. Mas para que eu resolveria doenças? Estava claro que essas serviam para controlar o crescimento do vírus humano sobre a face da Terra. Observe a História dos Maias querido leitor, onde seu declíno teve início quando não conseguiram conter o tamanho de sua população, provocando inúmeros problemas de sobrevivência, organização e de alimentação. Não conseguindo manter o povo alimentado, logo vieram as pestes e, por fim os espanhois.
Maia (ou Maya) significa ilusão. Um povo perfeito, uma maquete de uma civilização que se refletiria depois no resto do mundo. Seu início, seu meio e seu fim ocorreram em tempo resumido para que tudo pudesse ser antes testado. Estamos fadados aos nossos próprios excessos. Ao crescimento desordenado da humanidade até que esse planeta não nos queira mais sobre ele e "como um cachorro que se livra das pulgas num saculejo" nos mate.
- Romeu, eu sou velho, e não sei ainda hoje o porque de eu ter vivido até a idade que tenho.
- Senhor, a morte não é a solução....
- Não procuro a morte como solução pois não tenho problemas. E nem a procuro como ideal, pois os ideais não me interessam mais. A morte é apenas a potencialização do que eu já sou: vazio.
E quando dizia em voz alta aquelas palavras, pisei em algo pontiagudo que o transpassou meu pé direito. A dor me fez cair ao chão e fitar o céu, exatamente para poder olha-lo e perceber que a sua cortina cinza que se manteve assim por 20 anos estava inexplicavelmente se abrindo...

6/08/2007

A tristeza do poema é a dádiva
O cálice que só o poeta ousa entornar
Traz a morte como companheira ilustre
E deixa a suave brisa se distanciar

A tristeza do poema nos torna fortes
Nos demonstra o quão humanos podemos ser
Esquecidos em quartos solitários
Ou solitários em meio a multidões

A tristeza do poema é a sanguessuga
É o carrasco e a colina abaixo
É a escada e a espiral

A tristeza do poema é o machado
É a rosa e o frio invernal
É o sorriso, a felicidade impostora irracional

08.06.2007